O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, determinou que o inquérito referente à apreensão de R$ 510 mil em espécie realizada no Aeroporto de Congonhas passe a tramitar na Suprema Corte. O dinheiro vivo foi localizado pela Polícia Federal em 25 de agosto na bagagem de mão da advogada Valéria Rodrigues Linhares, companheira do deputado federal Cezinha de Madureira (PL-SP).
Na avaliação do relator, há ligação direta entre a apreensão do montante no terminal paulista e as suspeitas de loteamento de influência em tribunais superiores. A polícia apura se advogadas e o parlamentar paulista mantinham um arranjo estruturado para comercializar facilidades e obter decisões favoráveis perante magistrados das altas cortes, mediante o recebimento de honorários de êxito que variavam de R$ 500 mil a R$ 2 milhões.
Diante dos indícios de que o pagamento de contratos de êxito ocorria através do transporte físico de cédulas para dificultar o rastreamento das verbas, Flávio Dino autorizou o cumprimento de mandados de busca e apreensão nos endereços do congressista e no escritório de advocacia de Valéria. A decisão judicial ressalta explicitamente que nenhum integrante do Judiciário é investigado no caso, figurando apenas como alvos em tese da influência ofertada pelos suspeitos. Em nota, a defesa de Cezinha declarou confiança nas autoridades e afirmou que demonstrará a inocência do parlamentar ao longo do devido processo legal.
* Jornal de Alagoas

















