● Lucas Toth
Em um podcast da extrema direita israelense, o ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben-Gvir, defendeu abertamente a continuidade e o aprofundamento do massacre em Gaza, com a eliminação de “30 a 40 pessoas todas as noites”, além da ocupação e colonização total do território palestino.
“Acho que deveríamos realizar assassinatos seletivos em Gaza, eliminando de 30 a 40 pessoas todas as noites”, afirmou o ministro.
A declaração foi dada em um podcast de extrema direita apresentado por Rom Braslavski, ex-refém israelense libertado pelo Hamas em outubro de 2025.
Ben-Gvir criticou a redução das operações militares israelenses e a pressão internacional — incluindo dos Estados Unidos, principal aliado de Israel — para conter a escalada da guerra e avançar em um plano político para o território.
“Há pessoas lá que não merecem viver. Elas não deveriam viver. Nem sequer são pessoas”, disse.
Ben-Gvir integra o gabinete de segurança de Benjamin Netanyahu, mas não comanda as Forças Armadas. Ele ocupa o ministério da Segurança Nacional, com controle político sobre a polícia e o sistema penitenciário israelense.
● “Toda Gaza é nossa”
No programa, o ministro voltou a defender a expulsão da população palestina e a transformação completa da Faixa de Gaza em território de assentamentos israelenses.
“Vejo toda Gaza como nossa”, declarou. Ele afirmou que Israel deveria “construir assentamentos não apenas em Gush Katif, mas em toda Gaza” e incentivar “o máximo possível” a saída dos palestinos.
Gush Katif foi o principal bloco de colônias israelenses na Faixa até a retirada de 2005.
Ben-Gvir também defendeu que palestinos classificados por Israel como “terroristas” não tenham qualquer possibilidade de deixar o território.
“Para os terroristas, nenhuma emigração, nada. Simplesmente matá-los um por um”, disse.
Especialistas em direito internacional apontam que propostas de expulsão em massa e substituição populacional podem configurar políticas de limpeza étnica.
As declarações ocorrem após quase três anos de genocídio israelense na Faixa de Gaza. Desde outubro de 2023, mais de 73 mil palestinos foram mortos, segundo autoridades locais. Mesmo após o cessar-fogo firmado em outubro de 2025, ataques israelenses mataram cerca de 1,2 mil pessoas.
● Ruptura com aliados e escalada da extrema direita
As falas também expõem a crescente tensão entre setores da extrema direita israelense e os próprios aliados internacionais de Israel, em meio às negociações para implementação do plano apresentado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Ben-Gvir rejeita qualquer contenção das operações militares e defende a ocupação permanente de Gaza, além da expansão dos assentamentos na Cisjordânia ocupada.
Colono e uma das principais figuras da extrema direita israelense, Ben-Gvir foi condenado por incitação ao racismo e por apoio a uma organização terrorista, o Kach, movimento supremacista judeu banido em Israel.
Sua trajetória política foi construída nos setores mais radicais do movimento de colonos.
Seu partido, Poder Judeu, também liderou a aprovação de uma lei que prevê pena de morte por enforcamento para palestinos condenados por matar israelenses em atos classificados como terrorismo — sem previsão equivalente para israelenses que matem palestinos.
Durante o podcast, o apresentador Rom Braslavski afirmou que gostaria de executar pessoalmente condenados à morte.
“Deixe-me ser aquele que vai enforcá-los. Não quero uma corda; quero um botão em uma arma. Com minhas próprias mãos, executarei todos os terroristas do Estado de Israel”, disse.
Ben-Gvir respondeu prometendo atuar para viabilizar a proposta.
“Vou mover céus e terra para que isso aconteça. Prometo que farei tudo o que puder”, afirmou. “É um dos meus maiores sonhos ver você lá.”
Desde que assumiu o ministério, Ben-Gvir também defende o endurecimento extremo das condições de detenção de palestinos. Organizações de direitos humanos e ex-detentos denunciam tortura, violência, restrições alimentares e falta de atendimento médico nas prisões israelenses.
As declarações de autoridades israelenses sobre Gaza já foram citadas em processos internacionais como evidência de possível intenção genocida. Israel nega e afirma que suas ações seguem o direito internacional.
Redação C/ Portal Vermelho

















