Por Emanuelle Vanderley
Mesmo com a posição firmada de que vai ser candidato ao Governo de Alagoas nas eleições deste ano, o ministro dos Transportes Renan Filho (MDB) foi citado, mais uma vez, como uma das possibilidades em negociação do MDB para uma possível composição na chapa presidencial de 2026.
Em matéria publicada ontem (5) no O Globo, há uma afirmação de que Lula (PT) está pensando em garantir o apoio do MDB com a indicação do vice-presidente, e que se isso acontecer os nomes mais cotados são dos ex-governadores de Alagoas, Renan Filho e Pará, Helder Barbalho (MDB).
Renan Filho não se pronunciou desta vez sobre o assunto. Ele segue no ritmo acelerado de pré-campanha viajando e fazendo entregas de obras como ministro. Mas em inúmeras oportunidades, já anunciou e confirmou publicamente que será sim candidato ao Governo de Alagoas. Há menos de um mês, no dia 15 de janeiro, ele concedeu entrevista à Rádio CBN e reafirmou os planos estaduais.
“Eu vou ser candidato, vou sair do Ministério dos Transportes em abril para estar apto à disputa eleitoral de outubro. Na minha opinião, Alagoas precisa construir, precisa discutir, decidir por meio do voto popular um novo salto para o nosso desenvolvimento”, afirmou Renan Filho.
Nas redes sociais, percebe-se uma nacionalização da sua imagem. Tanto no trabalho como ministro, em que passa por todo o Brasil atuando na infraestrutura das rodovias, quanto em projetos extremamente populares, como aquele que reduziu drasticamente o custo da Carteira Nacional de Habilitação (CNH). Além disso, ele tem utilizado o espaço para fazer provocações e críticas ao governo Bolsonaro, enaltecendo as realizações do atual Governo.
É bem verdade que alguns planos só são revelados no momento mais estratégico, então não se pode descartar a possibilidade de uma mudança daqui para outubro. Até o momento, ele é o único que se declara pré-candidato ao Governo.
Do outro lado, o prefeito de Maceió, JHC (PL), tem sido visto como provável candidato. Vários aliados muito próximos já anunciaram esse plano, mas da boca do prefeito, nada foi dito em público.
Caso JHC seja candidato, a densidade eleitoral e a popularidade de Renan Filho podem fazer falta na hora de montar uma chapa para fazer frente a isso e montar o palanque de Lula em Alagoas. A não ser que as declarações acaloradas de JHC sobre Lula durante a recente visita presidencial à capital alagoana sejam um sinal de que ele pode se afastar mais do bolsonarismo e escolher um lugar mais ao centro no debate eleitoral.
Não é a primeira vez que Renan Filho é colocado nesta posição. Desde que assumiu o ministério, vez por outra seu nome é ventilado na possibilidade de vice, já tendo até sido perguntado diretamente em entrevistas nacionais. No início do ano passado, em entrevista ao Globo, ele relatou que Lula chegou a pedir para ele não disputar o Governo estadual, e deixou as razões em aberto.
“O presidente, de vez em quando, me diz para eu não ser candidato”. A razão do conselho de Lula, ele dizia não saber, mas imaginava. “Fico com vergonha de perguntar. Ele fala que já fui governador, que é importante ter figuras experientes no Senado, na Esplanada. A política está mudando muito, tem um ambiente de mentira que precisa ter gente com densidade para combater”, ponderou Renan Filho à época.
Ele também foi perguntado sobre possibilidade de ser vice, e não demonstrou muita confiança nisso. “É natural que cogitem o meu nome, mas também está um pouco longe”. Ele alegava apenas estar empenhado na missão assumida com Lula no ministério.
A lealdade do Senador Renan Calheiros (MDB) ao presidente Lula, (isso inclui Renan Filho, e o grupo político que eles representam em Alagoas) é inquestionável. Nas últimas eleições, o MDB chegou a lançar candidatura própria da, agora ministra, Simone Tebet. Mas Renan se manteve com Lula, e fez companha por aqui recebendo o petista em palanque reunindo governador, senador e deputados.
Na publicação dessa semana, Roxo afirma que o atual vice, Geraldo Alckmin (PSB), seria remanejado para disputar em São Paulo, o Senado ou o Governo Estadual, já que Fernando Haddad (PT) mantém firme a decisão de não concorrer.
* Tribuna Hoje

















