AFP
Em seu discurso nesta manhã, no horário local, Lula disse que as Nações Unidas devem liderar a governança internacional da Inteligência Artificial, para que seja “multilateral, inclusiva e orientada ao desenvolvimento”.
“Sem ação coletiva, a Inteligência Artificial aprofundará desigualdades históricas”, salientou ele, na plenária do evento em Nova Délhi.
“Quando poucos controlam os algoritmos e as infraestruturas digitais, não estamos falando de inovação, mas de dominação. A regulamentação das chamadas “Big Techs” está ligada ao imperativo de salvaguardar os direitos humanos na esfera digital, promover a integridade da informação e proteger as indústrias criativas de nossos países”, frisou o presidente.
A oito meses das eleições presidenciais no Brasil, o petista lembrou que “o modelo atual de negócios dessas empresas depende da exploração de dados pessoais, da renúncia do direito à privacidade e da monetização de conteúdos chamativos que amplificam a radicalização política”. “Conteúdos falsos manipulados por inteligência artificial distorcem processos eleitorais e põem em risco a democracia”, advertiu.
O presidente ressaltou que o Brasil tem participado de diversas iniciativas para promover a governança da IA. O Congresso discute uma política de atração de investimentos em centros de dados e um marco regulatório da tecnologia, e o governo lançou em 2025 o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial.
O país também apoia a proposta da China de criar uma Organização Internacional para Cooperação em Inteligência Artificial, com foco nos países em desenvolvimento. “Mas nenhum desses foros substitui a universalidade das Nações Unidas para uma governança internacional”, salientou o presidente. “A Quarta Revolução Industrial avança rapidamente enquanto o multilateralismo recua perigosamente”, apontou Lula.
Nesta tarde, o presidente brasileiro terá reunião bilateral com Emmanuel Macron, às margens da cúpula. Nesta sexta, Lula será recebido em visita de Estado pelo primeiro-ministro indiano, Narendra Modi.
Líderes e CEO da OpenAI defendem regulação
Modi também defendeu que essa tecnologia seja “acessível e inclusiva”. “A IA deve ser democratizada de tal forma que os humanos não sejam apenas dados ou matéria-prima”, disse ele. “Ela deve se tornar um vetor de inclusão e desenvolvimento, particularmente no Sul Global.”
O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, argumentou que o futuro da IA não pode estar sujeito “aos caprichos de alguns bilionários”. “A IA deve pertencer a todos”, pregou.
Em um recado aos Estados Unidos, o presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou que as regulamentações digitais na Europa a tornam “um espaço seguro” e que a UE está “determinada a continuar ditando as regras do jogo” nesta área “com aliados como a Índia”.
Além de 20 chefes de Estado e de Governo, a cúpula reúne executivos de alto escalão do setor de tecnologia. Sam Altman, CEO da OpenAI, criadora do assistente ChatGPT, afirmou que o mundo “precisa urgentemente” de regras para governar o rápido desenvolvimento da inteligência artificial.
“Não estou sugerindo que não precisamos de regulamentação ou salvaguardas. Precisamos delas urgentemente, assim como precisamos para qualquer outra tecnologia com esse poder”, disse Altman.
“Podemos imaginar o mundo precisando de algo como a AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica) para garantir a coordenação internacional em IA”, propôs. “Democratizar a IA é a melhor maneira de garantir a prosperidade da humanidade”, continuou o CEO da OpenAI.
Caso Epstein leva Bill Gates a cancelar participação
O CEO do Google DeepMind, Demis Hassabis, também dará uma palestra no fórum, mas não o cofundador da Microsoft, Bill Gates, que cancelou de última hora sua participação em meio ao seu envolvimento no escândalo do criminoso sexual americano Jeffrey Epstein.
“Após cuidadosa consideração, e para garantir que a atenção permaneça focada nas principais prioridades da cúpula de IA, Gates não fará seu discurso de abertura”, disse a fundação que leva seu nome.
O executivo afirmou que não fez “nada de errado” apesar de se relacionar com Epstein, e que a mera menção de seu nome nos documentos revelados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos não implica em qualquer irregularidade de sua parte.
Ao final do evento em Nova Délhi, deve ser publicada uma declaração final com o objetivo de regulamentar o uso da IA. Impulsionada pelo forte desempenho das empresas de tecnologia no mercado de ações, a revolução em curso está gerando preocupações sobre seu impacto no mercado de trabalho, meio ambiente, criação artística, educação e informação.
Contratos à vista
Gigantes globais da tecnologia aproveitaram a oportunidade para anunciar novos acordos, investimentos e projetos de infraestrutura na Índia, que está prestes a se tornar a quarta maior economia do mundo.
“A Índia está embarcando em uma trajetória extraordinária em IA, e queremos ser parceiros nisso”, disse Sundar Pichai, CEO da Alphabet, empresa controladora do Google, que nasceu na Índia.
A OpenAI e a Tata Consultancy Services (TCS), da Índia, anunciaram a construção de um centro de dados no país. A Nvidia, líder mundial na fabricação de chips para ferramentas de IA, revelou no dia anterior uma parceria com a L&T, provedora indiana de centros de dados e computação em nuvem com sede em Mumbai, para criar a “maior fábrica de IA da Índia”.
“Essa infraestrutura impulsionará as capacidades de IA de próxima geração e posicionará a Índia como um polo global de IA”, afirmaram as duas empresas. A Google, por sua vez, anunciou a construção de novos cabos submarinos com origem na Índia.
Fonte: RFI

















