Anadia/AL

21 de julho de 2024

Anadia/AL, 21 de julho de 2024

‘Nada justifica ele sacar a arma e dar um tiro’, diz tio de entregador baleado por PM no Rio

ABN - Alagoas Brasil Noticias

Em 5 de março de 2024

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Foto: Reprodução/ Redes sociais

É grave o estado do entregador do iFood, Nilton Ramon de Oliveira, de 25 anos, baleado à queima-roupa pelo policial militar Roy Martins Cavalcanti, lotado no 18º BPM (Jacarepaguá), na noite desta segunda-feira, após uma discussão em razão de uma entrega. Ao Extra, o tio do jovem, Jurandir Júnior, afirmou que a atitude do cabo diante da situação é injustificável.

— Deu para ver pelos vídeos que os dois estavam alterados. Que era uma discussão. Mas nada justifica um policial militar, pago para nos proteger, sacar uma arma e dar um tiro. Isso é injustificável — lamentou ele.

Nilton Ramon trabalhava como entregador de aplicativo há cerca de quatro anos. Antes disso, ainda segundo o tio, vendia balas no sinal. O rapaz, que fazia entregas de bicicleta, costumava ficar na Estrada Intendente Magalhães, na Zona Norte. Segundo o tio do rapaz, ele gostava de trabalhar como entregador.

— Ele gostava do que fazia. Sou motorista de aplicativo e sei que as empresas não ligam para a gente. O cliente acha que, porque está pagando, os entregadores têm a obrigação de subir. O sentimento que fica é de tristeza. O meu sobrinho não estava armado. Acredito que ele (o agente) tinha consciência do que estava fazendo — disse o tio.

De acordo com parentes, Nilton Ramon, apesar de não ser filho único, foi criado longe dos pais e dos irmãos que atualmente moram em Rio das Ostras. Eles o descreveram como um rapaz bom e muito carinhoso, que estudou até o ensino fundamental e tinha planos de melhorar de vida.

— Estava tentando melhorar sua situação. Por mais que tivesse dificuldades, o trabalho era o sustento dele — afirmou o tio.

Vídeos mostram briga

Vídeos que circulam em redes sociais mostram o entregador caído no chão após ser baleado, ainda com a mochila nas costas. É possível ver pessoas se movimentando ao redor dele. Uma das pessoas que filmou a cena diz, e tom de revolta: “Acabou de balear o menor aqui. Estava entregando”.

De acordo com informações de moradores da região, Nilton tinha ido fazer a entrega do lanche de bicicleta. Como o PM se recusou a ir buscar o pedido, ele acionou o protocolo de devolução da encomenda e voltou para a loja, na Praça Saiqui. O policial foi atrás dele e os dois discutiram.

O próprio Nilton gravou vídeos que mostram Roy alterado, discutindo com ele, inclusive pegando a arma que estava em sua cintura. Nesse momento, o entregador levanta a camisa e mostra estar desarmado.

“Tá metendo a mão na cintura por que?”, questiona o PM.

Nilton rebate: “Aqui filho, sou trabalhador. Sendo ameaçado aqui”.

Uma mulher que acompanha o PM também se dirige ao entregador aparentando estar com raiva, o chamando de abusado. Em determinado momento, o entregador afirma que vai procurar uma delegacia. Roy se mostra descontente com a gravação que Nilton faz: “Não autorizo a divulgação da minha imagem”, afirma o agente.

Segundo a Polícia Militar, equipes do 18º BPM (Jacarepaguá) foram acionadas para o local da ocorrência e confirmaram a discussão entre o PM e o entregador, que estava caído no chão. A Corregedoria da PM abriu um procedimento para investigar a conduta do agente.

A Polícia Civil afirmou que Rony se apresentou na 32ª DP (Taquara) e foi ouvido. De acordo com a corporação, “imagens do fato estão sendo analisadas e testemunhas serão ouvidas”. O caso foi encaminhado para a 28ª DP (Praça Seca).

De acordo com policiais, na delegacia, Rony afirmou que se sentiu ameaçado por Nilton. Segundo ele, o rapaz teria tentando tomar sua arma.

O que diz o iFood

Em nota, o iFood afirmou que “não tolera qualquer tipo de violência contra os entregadores parceiros”. Lei ao posicionamento na íntegra:

“O iFood não tolera qualquer tipo de violência contra os entregadores parceiros. Quanto ao caso do entregador Nilton Ramon de Oliveira, o iFood recebeu contato da família e está priorizando os processos para disponibilizar o suporte e seguro hospitalar que são oferecidos pela empresa. A cliente relacionada à conta que realizou o pedido será banida da nossa plataforma.

O iFood esclarece que a obrigação do entregador é deixar o pedido no primeiro ponto de contato, seja o portão da casa ou a portaria do prédio. Essa é a recomendação passada aos entregadores e aos consumidores.

A companhia vem realizando, desde 2023, uma série de iniciativas em parceria com o Secovi Rio (Sindicato da Habitação do Rio de Janeiro), para conscientização de moradores e capacitação de porteiros e síndicos de condomínios da cidade. Além disso, expandiu o acolhimento feito pela Central de Apoio Jurídico e Psicológico na cidade do Rio de Janeiro, com possibilidade de atendimento presencial no edifício sede das Black Sisters in Law (BSL) – coletivo de advogadas negras – que fornece assistência para profissionais vítimas de qualquer tipo de violência”.

*Redação com Extra. Globo

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