
Por Lívia Coimbra
Neste final de semana, Estados Unidos e Irã se reuniram em Islamabad, capital do Paquistão, para tentar um acordo de paz. As tratativas, no entanto, não avançaram.
Com isso, o preço do petróleo disparou, com o barril do tipo Brent ultrapassando os US$ 100 ( cerca de R$ 500) nesta segunda-feira, com alta de mais de 7%, refletindo a escalada de tensão e os temores sobre o impacto no fornecimento global de energia.
Já o WTI (West Texas Intermediate), usado como referência nos EUA, avançava 7,98%, a US$ 104,27 (aproximadamente R$ 522).
Ao deixar o país, o vice-presidente JD Vance afirmou que as negociações não terminaram bem após a recusa do Irã em abandonar o desenvolvimento de uma arma nuclear.
As conversas duraram em torno de 12 horas, e Vance esteve em contato frequente com Trump e demais integrantes do governo.
Trump, por sua vez, disse no Truth Social que os Estados Unidos devem tomar medidas contra todas as embarcações que entrarem ou sairem do estreito de Ormuz, que tiverem pago pedágio ao Irã, além de iniciar a destruição de minas que, segundo ele, foram lançadas pelos iranianos no estreito, ponto de estrangulamento por onde passam cerca de 20% dos suprimentos globais de energia, agora bloqueado pelo Irã.
O Comando Central dos EUA ( Centcom) afirmou que não pretende bloquear embarcações que tenham como destino portos não iranianos, mantendo uma circulação parcial no Estreito de Ormuz. Desde o cessar-fogo anunciado na última semana, ao menos 60 navios cruzaram a região média de 10 por dia, número ainda bem abaixo de quando cerca de 1 38 embarcações transitavam diariamente.
Na prática, a medida busca interromper os cerca de 2 milhões de barris de petróleo iraniano que ainda passam pelo estreito. A redução no fluxo de navios na região, em meio ao conflito no Oriente Médio e aos bloqueios promovidos pelo Irã, tem pressionado diretamente os preços da commodity, que dispararam desde o início do conflito.
Mesmo após o frágil cessar-fogo firmado entre EUA e Irã na última semana, o tráfego chegou a permitir um fluxo maior por alguns dias. Agora, o cenário volta a se deteriorar com o fracasso das negociações por um acordo permanente neste fim de semana.
EUA não conquistaram confiança, diz Irã
O presidente do Parlamento do Irã, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou no domingo (12) que agora é o momento de os EUA decidirem se podem conquistar a confiança do país.
Em uma publicação no X, Ghalibaf afirmou que já havia destacado, antes das negociações, que o Irã tinha “boa-fé e vontade”, mas, devido às experiências de duas guerras anteriores, não possuía “nenhuma confiança no lado oposto”.
Ghalibaf declarou que “essas ameaças não têm efeito sobre os iranianos” e que o país não irá “se render sob ameaças”.
Após declarações de Donald Trump, a Guarda Revolucionária do Irã advertiu que qualquer embarcação militar que se aproxime da área será considerada em violação do cessar-fogo e poderá ser “tratada severamente”. Ainda assim, autoridades iranianas afirmam que o estreito segue aberto para o tráfego de navios não militares, enquanto especialistas apontam que eventuais medidas dos EUA afetariam apenas uma parcela limitada das embarcações na região.
O impasse mantém elevada a tensão no Oriente Médio e aumenta a incerteza no mercado global de energia.
Redação com iG



















