A escalada de ataques ao Supremo Tribunal Federal entrou de vez na disputa eleitoral e passou a ser explorada como estratégia por candidatos que tentam ganhar visibilidade fora da polarização principal. É o caso do ex-governador Romeu Zema, que intensificou críticas públicas a ministros da Corte em uma tentativa de ampliar sua relevância política.
O tema foi debatido no programa Ponto de Vista, apresentado por Marcela Rahal, com participação do colunista Robson Bonin e do diretor do Instituto Locomotiva, Renato Meirelles.
Por que Zema passou a atacar o STF?
Segundo os analistas, o movimento faz parte de uma estratégia para romper a baixa competitividade nas pesquisas. Para Bonin, o governador atua como “franco atirador”, buscando um discurso que o diferencie dos demais candidatos. “Ele não tem outra opção a não ser buscar algum tipo de discurso que não esteja sendo replicado pelos outros”, afirmou.
A estratégia tem funcionado eleitoralmente?
Até agora, não de forma consistente. Marcela destacou que, apesar da visibilidade nas redes sociais, Zema ainda não conseguiu sair das posições inferiores nas pesquisas. Bonin avalia que o tom adotado pode gerar engajamento, mas também traz riscos.
“O discurso do Zema pode ser visto como algo engraçado, mas flerta com um negócio perigoso”, disse, ao comentar o uso de sátira para tratar temas institucionais.
Como o STF entrou no centro da disputa?
O debate ganhou força com críticas ao ‘inquérito das fake news’, que passou a ser usado como símbolo de supostos excessos do Judiciário. Bonin classificou o inquérito como uma “caixa preta”, afirmando que há pouca transparência sobre seu funcionamento.
“Ninguém sabe quem foi monitorado”, disse, ao apontar que o modelo de investigação concentra poderes e alimenta o discurso político contra a Corte.
Por que esse tema favorece candidatos?
Na avaliação dos participantes, o embate com o STF virou um campo fértil para candidaturas que buscam mobilizar o eleitorado insatisfeito. Bonin destacou que a tensão institucional “virou uma batalha de sobrevivência para o Supremo” e, ao mesmo tempo, um laboratório político para adversários. O tema tende a ganhar ainda mais força com novos desdobramentos de investigações e delações citadas no programa.
Qual é o cálculo político de Zema?
Para Meirelles, a estratégia do governador está ligada à busca por relevância nacional — seja para viabilizar candidatura própria, seja para ocupar espaço como possível vice. “O Zema quer se diferenciar nesse grupo anti-Lula”, afirmou.
Nesse contexto, o ataque ao STF também dialoga com pautas do bolsonarismo e pode facilitar a aproximação com esse campo político.
Qual a relação com o debate sobre anistia?
Segundo Meirelles, o discurso contra o Supremo ajuda a reduzir o custo político da defesa da anistia aos envolvidos nos atos de 8 de Janeiro. O ataque à Corte, nesse sentido, funcionaria como forma de questionar decisões judiciais e legitimar propostas de revisão de penas.
Continua após a publicidade
A intensificação das críticas ao STF mostra que o Judiciário deve ocupar papel central na disputa eleitoral. Além da polarização entre governo e oposição, cresce um terceiro eixo de campanha baseado na contestação institucional — que pode influenciar tanto o debate público quanto o comportamento do eleitor.
Redação com RBN

















