Ao mesmo tempo, Assunção reiterou o pedido para que Brasília devolva troféus e objetos históricos relacionados ao conflito.
A posição foi apresentada pelo ministro das Relações Exteriores do Paraguai, Rubén Ramírez, após uma reunião com o embaixador do Brasil em Assunção, José Antonio Marcondes de Carvalho.
Na ocasião, o governo paraguaio entregou uma nota oficial de repúdio às declarações de Lula, classificadas como uma “visão distorcida” da história.
“Continuaremos trabalhando em uma agenda construtiva e positiva”, afirmou Ramírez.
Na nota entregue ao representante brasileiro, o governo paraguaio também voltou a reivindicar a restituição do Canhão Presidente López, do Canhão Cristiano, de outros troféus de guerra e de cópias de documentos históricos sobre a Guerra da Tríplice Aliança que permanecem em arquivos brasileiros.
“A mensagem era que as declarações do presidente Lula foram tiradas de contexto, que não era sua intenção ofender o Paraguai e os paraguaios, que ele está verdadeiramente comprometido com a integração e que o governo brasileiro lamenta que isso tenha assumido essa dimensão”, disse Ramírez.
Apesar disso, o governo paraguaio reiterou a expectativa de que o Brasil aceite devolver os objetos históricos levados após o conflito.
Crise pontual
- Apesar do desconforto diplomático, o episódio é tratado pelo governo brasileiro como um “ruído conjuntural”.
- A avaliação é de que a crise não deve comprometer a relação entre os dois países, que mantêm uma ampla agenda de cooperação em áreas como energia, comércio e segurança na fronteira.
- A Guerra da Tríplice Aliança, também conhecida como Guerra do Paraguai, foi o maior conflito armado da história da América do Sul.
- Travada entre 1864 e 1870, opôs o Paraguai à aliança formada por Brasil, Argentina e Uruguai, deixando profundas marcas na história paraguaia.
- Estimativas apontam que cerca de metade da população do país morreu durante a guerra, considerada até hoje um dos principais traumas da identidade nacional paraguaia.
A declaração provocou forte reação em Assunção, por ser um tópico considerado “extremamente sensível” para a comunidade paraguaia.

















