
Com 61% de aprovação, segundo pesquisa Ibrape divulgada pela Gazetaweb, Paulo Dantas teria todas as condições de disputar o Senado em 2026 como favorito. O levantamento também mostrou que 46% dos entrevistados avaliam o governo como ótimo ou bom, enquanto 27% consideram a gestão regular.
No cenário até abril deste ano, prazo de desincompatibilização, Paulo era considerado por diferentes analistas políticos — e também por pesquisas de consumo interno — como favorito a uma das duas vagas ao Senado. Governador bem avaliado, com forte presença no interior e comando da máquina estadual, ele entraria na disputa com boas chances de vitória.
Ainda assim, decidiu não disputar.
A escolha, que antes parte dos aliados tinha dificuldade de entender, agora ganha uma explicação que faz sentido. De um lado, o compromisso. Do outro, o risco de um vice-governador que virou a casaca.
Paulo abriu mão de uma eleição favorável para permanecer no governo, cumprir o acordo feito em 2022 e comandar a sucessão — compromisso do grupo que reúne, além dele, Renan Filho, Renan Calheiros e Marcelo Victor.
O risco Lessa
Além do compromisso político, havia outro fator a ser considerado. Se Paulo deixasse o governo para disputar o Senado, quem assumiria o comando do Estado seria Ronaldo Lessa, vice-governador eleito na mesma chapa em 2022.
À época, a hipótese parecia administrável. Hoje, nem tanto.
Lessa mostrou, na prática, que não honraria os compromissos assumidos com Paulo Dantas e com o grupo governista. Ao se aproximar de JHC, deixou claro que poderia seguir outro caminho no comando do governo.
A pergunta inevitável: Paulo poderia ser eleito senador? Sim. Provavelmente entraria como favorito. Mas o grupo conseguiria eleger o sucessor com Ronaldo Lessa no governo? Dificilmente.
Ao permanecer no cargo, Paulo manteve o controle político e administrativo do Estado, preservou a relação com prefeitos, deputados e lideranças regionais e assumiu, na prática, a coordenação da pré-campanha de Renan Filho.
Nas últimas semanas, tem comandado caravanas, agendas no interior e articulações com a base governista. A estratégia é consolidar primeiro a presença de Renan Filho no interior para, em seguida, avançar com mais força sobre Maceió.
A decisão de ficar ganha uma explicação razoável. Paulo abriu mão de disputar o Senado para não entregar o governo a um aliado que, depois, virou adversário.
Se antes muitos não entendiam por que um governador popular deixaria escapar uma eleição quase certa, agora a explicação é simples. Paulo preferiu trocar um projeto individual por uma missão de grupo.
Redação com Blog de Edivaldo Junior

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