Anadia/AL

13 de junho de 2024

Anadia/AL, 13 de junho de 2024

Prefeito de cidade do Ceará é investigado por importunação sexual a funcionária de restaurante em SP; veja

Imagens mostram Rildson Vasconcelos 'encoxar' a vítima; funcionária relatou que político fez 'elogios' e 'brincadeiras' de cunho sexual | 11:12 hs

ABN - Alagoas Brasil Noticias

Em 4 de junho de 2024

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Terra

Por: Vanessa Ortiz

O prefeito da cidade de Tabuleiro do Norte, no Ceará, é investigado pela Polícia Civil por suspeita de importunar sexualmente uma funcionária de um restaurante de São Paulo. Imagens de câmeras de monitoramento obtidas com exclusividade pelo Terra mostram o momento em que Rildson Vasconcelos (PP) passa pela mulher e tenta ‘encoxá-la’. Em nota, a defesa afirmou que “não comentará a respeito do suposto episódio e manifesta o total repúdio a acusações”.

O caso ocorreu em 26 de maio de 2023, no estabelecimento localizado na Vila Sônia, na capital paulista. A vítima, que prefere que seu nome não seja revelado, conta que estava trabalhando na loja do local, quando o homem chegou, próximo ao horário do almoço.

“No momento em que ele chegou, passou por dentro da loja para ir ao restaurante. A princípio, ele se interessou por alguns produtos, comecei a conversar com ele numa boa, como vendedora. Ele já começou com umas ‘graças’ e eu simplesmente ignorando para ver se fazia a venda”, explica.

Segundo a mulher, Rildson entrou no restaurante, mas constantemente retornava à loja para ir ao banheiro e fazer ‘gracinhas’. Chegou a convidá-la para sair com o pessoal que o acompanhava e até a fazer ‘elogios descabidos’, além de tentar abraçar a força uma das recepcionistas. Ele teria ficado no estabelecimento durante todo o período de funcionamento.

“Começou com ‘nossa você é linda’, depois falou que minha boca era linda e devia ser macia, falou que eu devia ser toda branquinha e tentou sentir meu perfume. Eu sempre atrás do balcão para impedir que ele se aproximasse”, relata a vítima. “Toda vez que ele ia ao toalete passava pela loja e elogiava. Quando eu ignorava ou dava atenção para outros clientes, ele tentava pegar minha mão. Perguntou se eu conhecia casas de swing e se eu poderia ir com ele. Sempre que eu estava com algum cliente ele se intrometia, e levava o assunto para o lado sexual.”

Em seu relato, a vítima diz que conseguiu manter distância de Rildson até que, por volta das 21h30, uma criança apareceu no local e quis subir em uma moto de brinquedo. Outras pessoas também entraram no recinto, incluindo o prefeito cearense.

Nas imagens, é possível vê-lo conversando com um homem asiático. A funcionária afirma que ele “brincou” e perguntou o tamanho do pênis dele. Em seguida, outro rapaz chega junto deles. O cliente asiático vai para o sentido oposto aos dois. “Quando o rapaz foi embora constrangido, ele [Rildson] falou que [o pênis] deveria ser pequeno, mas que o dele era grande”, relata.

Em seguida, o prefeito e seu colega caminham para fora da loja. Enquanto o homem que o acompanhava passa pelo lado direito do vídeo, o prefeito vai em direção à funcionária e passa entre ela e um totem.

O vídeo mostra o momento em que Rildson coloca uma das mãos na cintura da moça e a outra no braço. “Ele veio por trás de mim, me encoxando. Tentou sussurrar alguma coisa no meu ouvido, só que eu saí correndo”, relembra.

Na saída, ele andou até a entrada no local, onde havia uma picape estacionada, e urinou na presença de outras pessoas. “Foi uma sequência de coisas que ele foi fazendo durante o período que ele ficou no restaurante, que eu me senti muito assustada. No momento em que ele veio para cima de mim, eu já queria pedir para ir embora”, explica.

A vítima ficou receosa de denunciar, mas recebeu apoio do companheiro e dos superiores para levar o caso às autoridades. A denúncia foi registrada na Delegacia Eletrônica, no entanto, com pouco mais de um ano de investigação, o inquérito ainda não foi concluído, tampouco levado ao Ministério Público.

Demora na conclusão do inquérito

Rildson é investigado por importunação sexual e ato obsceno, já que urinou do lado de fora do estabelecimento.  “O delegado informou que não era competente para cuidar do caso, já que o acusado é parlamentar e tem prerrogativa de foro. Contudo, a prerrogativa de foro é válida para crimes relacionados durante o exercício da função, que não é o caso”, explica a advogada da denunciante, Márcia Faustino.

O caso foi encaminhado para o Tribunal de Justiça do Ceará, que é o estado em que Rildson reside. Mas a Procuradoria se manifestou contrária ao recebimento do inquérito, e os autos retornaram ao Fórum da Barra Funda de São Paulo e seguem em apuração pela Polícia Civil de São Paulo.

Em nota, a Secretaria de Segurança Pública (SSP) de São Paulo negou o pedido de entrevista com a autoridade responsável pela investigação, mas esclareceu que o inquérito policial está em andamento no 89º DP (Jardim Taboão), que realiza as diligências solicitadas pelo Ministério Público.

“Todo o processo está demasiadamente demorado, nenhuma diligência foi realizada. Agora, estamos aguardando que a autoridade policial faça a oitiva do autor e termine as diligências necessárias. Por mais que a palavra dela tenha total relevância nesse tipo de crime”, afirma a advogada da funcionária, que alega ter provas sobre o relato da cliente.

“Há vídeos e testemunhas que comprovam a versão dada pela vítima para que não se inverta os papéis e para que ninguém diga que ela está querendo se aproveitar de uma situação. Situação essa que trouxe várias consequências psicológicas para ela, que precisou de muita coragem em denunciar e se expor”, ponderou Márcia Faustino.

Após o episódio, a mulher ficou traumatizada, desenvolveu quadro de ansiedade e precisou de atendimento psicológico. “É um dia que para mim foi muito traumático. Eu não conseguia mais trabalhar, mas não era possível deixar [o trabalho], porque eu tenho uma casa. Se eu não tivesse feito acompanhamento [psicológico] para segurar essas ansiedades… foi muito ruim. Hoje, um ano depois, eu já consigo falar, não fico tão agitada, mas é uma situação que eu nunca imaginei passar”, lamenta a vítima.

O que fiz o outro lado

Em nota enviado ao Terra, a defesa de Rildson afirmou que “tomou conhecimento de inquérito policial acerca de prática de importunação sexual a uma funcionária de um estabelecimento comercial, na Vila Sônia, em São Paulo/SP, pelo que passa a se manifestar por meio da presente nota, através de sua assessoria jurídica.”

“Em respeito às autoridades e à investigação que corre em segredo de justiça, o Dr. Rildson Rabelo Vasconcelos nada comentará a respeito do suposto episódio, no entanto, manifesta de pronto o seu total

repúdio a tais acusações. Por outro lado, afirma que sempre tratou todas as mulheres com muita consideração, admiração e respeito, posto que nos seus 42 anos de vida, nunca respondeu a qualquer ação criminal, sendo esta acusação a primeira do tipo. Afirma-se ainda que jamais teve intenção alguma de importunar sexualmente ou praticar qualquer ato libidinoso a quem quer que seja e, se qualquer atitude tenha causado constrangimento a alguma mulher, esta não foi intencional. Esclarece-se ainda que estamos a inteira disposição das autoridades competentes, para que durante as investigações todo esse mau entendido seja devidamente esclarecido, pelo que pedimos, gentilmente, que seja respeitado seu

direito ao silêncio, bem como seu direito de defesa, que exercerá em momento oportuno, quando acionado pelas autoridades. Espera-se que não ocorra nenhum julgamento prévio, antes da apuração de todos os fatos”, encerra o comunicado.

*Redação com Terra

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