Por: Victoria Bechara e Bruno Luiz
A mulher do ex-deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ), a servidora pública Rebeca Ramagem, conseguiu licença médica de 60 dias da PGE-RR (Procuradoria-Geral do Estado de Roraima). Ela segue nos Estados Unidos acompanhando o marido, foragido da Justiça brasileira.
O que aconteceu
Procuradoria aceitou atestado médico e pedido de licença apresentados por Rebeca. A PGE-RR não divulgou as motivações de saúde alegadas por Rebeca para pedir o afastamento. Em nota encaminhada ao UOL, a Procuradoria informou que o pedido foi analisado pela Divisão de Perícia Médica e Segurança do Trabalho da Segad (Secretaria de Gestão Estratégica e Administração).
Prazo de afastamento começou a contar em 22 de dezembro, data em que Rebeca fez a solicitação. A esposa de Ramagem é procuradora do Estado de Roraima desde 2015.
Como mostrou o UOL, Rebeca já havia estendido as férias para ficar nos EUA. Ela estava de férias desde 17 de novembro, A princípio, deveria ter voltado às atividades em 1º de dezembro, mas conseguiu esticar o período até 19 de dezembro, já que ainda tinha mais dias para tirar.
Para permanecer no exterior depois do fim das férias, Rebeca teria de pedir licença ou exoneração do cargo, o que aconteceu. A procuradora está nos Estados Unidos desde novembro.
Em 23 de novembro, ela postou um vídeo que mostrou o encontro das filhas com Ramagem no aeroporto de Miami. Na ocasião, Rebeca disse que estava no país há uma semana.
Procuradora também disse que se mudou com a família para os EUA. Rebeca disse que eles não encontraram no Brasil “a garantia de uma Justiça imparcial”.
Rebeca costuma mostrar nas redes sociais a rotina com o marido fora do Brasil. Ontem, por exemplo, publicou no Instagram um story em que prepara uma carne com legumes e outro no qual Ramagem aparece montando móveis em casa.
Procuradora recebe salário bruto de R$ 46 mil por mês. Ela está lotada na Coordenadoria da PGE-RR (Procuradoria Geral do Estado de Roraima) em Brasília, responsável pela representação judicial do estado nos tribunais superiores, desde agosto de 2020
Ramagem foi condenado a 16 anos de prisão pela trama golpista e fugiu clandestinamente para os EUA em setembro. O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes decretou a prisão do deputado após um pedido da PF (Polícia Federal).
Ele não podia ter deixado o Brasil sem autorização da Justiça. Na época, Ramagem ainda era deputado federal e a Câmara dos Deputados informou que não autorizou missão dele ao exterior. Segundo a Casa, o então deputado apresentou atestados médicos de 9 de setembro a 8 de outubro e depois de 13 de outubro a 12 de dezembro.
Moraes pediu abertura de processo de extradição de Ramagem para o Brasil. Em ofício encaminhado ao ministro em 22 de dezembro, o Ministério da Justiça informou que solicitou a extradição ao Ministério das Relações Exteriores.
Ramagem teve mandato cassado pela Câmara em dezembro, junto com Eduardo Bolsonaro (PL-SP). No caso de Ramagem, a Mesa Diretora baseou a decisão considerando as futuras faltas dele, que ultrapassariam o limite estabelecido pela lei, já que, como condenado pelo STF à prisão em regime fechado, não poderia frequentar as sessões.
ABN C/ Uol

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