Anadia/AL

18 de junho de 2024

Anadia/AL, 18 de junho de 2024

Silêncio de engenheiro atesta culpa da Braskem, aponta relator da CPI

Suspeita | 16:11 hs

ABN - Alagoas Brasil Noticias

Em 14 de maio de 2024

vv1

Reprodução

Em depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Braskem, na manhã desta terça-feira (14) o engenheiro e ex-gerente da Planta de Mineração da Salgema, Paulo Roberto Cabral de Melo, optou por permanecer em silêncio.

A atitude, amparada por um habeas corpus do STF, frustrou as expectativas do colegiado e intensificou os questionamentos sobre o papel do engenheiro na tragédia que afundou o solo de cinco bairros de Maceió.

Convocado para esclarecer aspectos técnicos e operacionais das atividades da Braskem, Cabral de Melo recusou-se a responder às perguntas dos senadores. O silêncio foi interpretado pelo relator da CPI, Rogério Carvalho (PT-SE), como um “atestado de culpa da petroquímica”.

Carvalho não hesitou em responsabilizar o engenheiro pela “tragédia ambiental e socioeconômica” que afeta mais de 60 mil pessoas em Maceió. Segundo o senador, a recusa de Cabral em colaborar demonstra sua “tentativa de esconder aquilo que todos nós já sabemos”.

“Para pelo menos 15 mil famílias, a vida mudou radicalmente”, afirma ainda o relator, ressaltando o impacto social e econômico do desastre. Cabral aponta ainda indícios de irregularidades na contratação de empresas e na manipulação de laudos técnicos, sugerindo que o engenheiro teria buscado minimizar a responsabilidade da Braskem.

Saiba quem é o engenheiro 

O engenheiro e responsável técnico pelas minas da Braskem, Paulo Roberto Cabral de Melo, foi gerente-geral da planta de mineração da Salgema Mineração Ltda (hoje Braskem S.A.), em Maceió, de 1976 a 1997. Ele atuou ainda como consultor para a Braskem por meio de sua empresa Consalt Consultoria Mineral Ltda, onde atualmente é sócio-diretor.

Em dezembro do ano passado, Cabral de Melo foi alvo de uma operação da Polícia Federal no inquérito que investiga o afundamento do solo em Maceió. Ele também já teve os sigilos quebrados pela CPI.

Relatório final será apresentado nesta quarta-feira

Nesta quarta-feira (15), às 9h, a CPI da Braskem apresentará o relatório final que investigou os impactos da mineradora no afundamento do solo em bairros de Maceió.

Criada a partir de um requerimento do senador Renan Calheiros (MDB-AL), a CPI mergulhou nos aspectos jurídicos e socioambientais da atuação da Braskem na região da Lagoa Mundaú, onde a empresa extrai sal-gema desde a década de 1970 para a produção de PVC.

Ao longo de três meses de trabalho, a comissão realizou 16 reuniões, incluindo 12 audiências públicas que contaram com o depoimento de 26 pessoas, entre elas dirigentes da Braskem, especialistas técnicos, geólogos e representantes das vítimas do afundamento.

As diligências da CPI não se restringiram ao ambiente formal. A comissão também se deslocou até Maceió para realizar vistorias e coletar informações in loco, além de ouvir representantes da administração pública municipal.

Composta por 11 membros titulares e 7 suplentes, a CPI tem como presidente o senador Omar Aziz (PSD-AM). A relatoria está sob responsabilidade do senador Rogério Carvalho (PT-SE), e o senador Dr. Hiran (PP-RR) ocupa a vice-presidência.

*Redação com Cada Minuto

Galeria de Imagens