Anadia/AL

27 de março de 2026

Anadia/AL, 27 de março de 2026

Terapeuta filmada puxando cabelos de criança autista em Maceió é proibida de atender

A decisão foi do Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional da Primeira Região (Crefito)

ABN - Alagoas Brasil Noticias

Em 27 de março de 2026

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Foto: Drauzio Varella

Por: Wanessa Santos

A terapeuta ocupacional flagrada por câmeras de videomonitoramento agredindo uma criança autista de sete anos em Maceió no final do ano passado está proibida de realizar qualquer atendimento pelos próximos 12 meses. A decisão, obtida com exclusividade pelo portal 7Segundos, foi do Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional da Primeira Região (Crefito), após o julgamento sobre o caso realizado nessa quinta-feira (26) em Recife, PE.

Segundo a sentença do Conselho, ficaram comprovadas infrações éticas graves, incluindo o desrespeito à integridade física e psicológica do paciente, além da violação do dever de proteção a pessoa em situação de vulnerabilidade. O documento também aponta que a profissional deixou de informar de forma adequada a responsável sobre as intercorrências durante a sessão, o que só ocorreu após questionamento, e classificou a conduta como incompatível com o exercício ético da profissão, além de configurar infração disciplinar.

A decisão ainda detalha que as agressões provocaram, consequências concretas e documentadas na criança, como regressão emocional, com medo intenso e ansiedade, regressão fisiológica com retorno da enurese, prejuízos no ambiente escolar e sintomas psicológicos como pesadelos e episódios de choro, exigindo acompanhamento psicológico e psiquiátrico.

Na época dos acontecimentos, o episódio teve grande repercussão em Alagoas, após a mãe da criança revelar que o menino, que faz tratamento terapêutico em uma clínica localizada na Ponta Verde, contou que a terapeuta o maltratou durante a sessão. “Eu perguntei como foi e ele disse que ela puxou os cabelos dele diversas vezes e que ele tinha chorado muito”, afirmou.

O relato da criança foi confirmado por imagens das câmeras de monitoramento do local que registraram tudo. Ao ver o vídeo da sessão terapêutica, a mãe do menino se chocou ao testemunhar as imagens das agressões: “Ele tentava sair e ela puxava de um lado, soltava e puxava do outro. Foram vários puxões. Ele gritava me socorre, me ajuda”, falou a mãe da criança.

Após o episódio, a criança apresentou pesadelos e regressão no comportamento escolar. Além disso, ele passou a não querer mais ir para a clínica, devido ao trauma provocado pelas agressões sofridas. Foi necessário elaborar um novo plano terapêutico para ajudá-lo a retomar a confiança na clínica e nos profissionais que o atendem. A mãe, por sua vez, sofreu estresse pós-traumático e precisou se afastar do trabalho.

Na ocasião, a terapeuta foi afastada da clínica, enquanto a mãe registrou denúncia no Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional (Crefito) e boletim de ocorrência na Polícia Civil. Após cerca de quatro meses do ocorrido, a terapeura ocupacional, que não teve o nome divulgado, foi condenada pelo Conselho com votação unânime a ficar um ano afastada das funções. Vale lembrar que tanto a acusada quanto a família da criança ainda podem recorrer da decisão.

Além da denúncia feita no Crefito, a terapeuta ocupacional também responde na justiça por danos morais e materiais. Em contraponto, a acusada também decidiu mover uma ação judicial contra a mãe da criança, alegando difamação e uso indevido de sua imagem, embora a genitora da vítima jamais tenha divulgado qualquer informação pessoal sobre ela.

Os casos seguem em andamento, sob segredo de justiça.

Sequelas

Além dos impactos já percebidos inicialmente, a criança passou a apresentar outras sequelas importantes após o episódio de agressão. Segundo apuração, o menino voltou a fazer xixi na roupa, passou a ter pesadelos frequentes e demonstrava medo constante ao questionar se encontraria novamente a terapeuta na clínica.

Os sinais do trauma também foram percebidos nas atividades acompanhadas pela equipe terapêutica. Em uma dinâmica conduzida pela psicóloga, ao ser incentivado a expressar sentimentos, o menino escreveu “medo / triste” e associou diretamente essas emoções ao nome da profissional responsável pelas agressões. Ele também desenhou figuras tristes, uma delas chorando.

O padrão dos desenhos da criança também mudou. Antes as pinturas feitas por ele eram alegres, coloridas e com formas bem definidas, e passaram a ser marcadas por rabiscos fortes e sem estrutura, o que pode refletir angústia e sofrimento emocional. No ambiente escolar, houve regressão significativa, com recusa em realizar atividades e dificuldades no aprendizado.

Especialistas na área do Transtorno do Espectro Autista (TEA) apontam que situações traumáticas como essa podem comprometer avanços já conquistados por crianças TEA, além de provocar marcas emocionais duradouras. Apesar disso, após quase dois meses, a criança começou a apresentar sinais iniciais de melhora, ainda que o acompanhamento precise ser contínuo.

Novos casos de violência contra criança autista

O caso reacende o alerta para a segurança de crianças em ambientes terapêuticos. Recentemente, outro episódio grave passou a ser investigado em Maceió. A Polícia Civil de Alagoas apura uma denúncia de abuso sexual contra uma criança autista de seis anos durante atendimento em uma clínica no bairro Gruta de Lourdes.

De acordo com a família, a suspeita surgiu após mudanças no comportamento da menina e a identificação de sinais físicos. A criança teria indicado, por meio de gestos, que a profissional responsável tocou suas partes íntimas. A mãe também relatou a presença de lesões na região.

Um boletim de ocorrência foi registrado, e a vítima passou por exame de corpo de delito. O laudo deve ser concluído nas próximas semanas, enquanto a família busca medidas judiciais para garantir a responsabilização do caso. A investigação segue em andamento.

*7 Segundos

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