O presidente Donald Trump anunciou que vai promover um Dia D econômico contra o Irã, mas horas depois a dívida dos Estados Unidos bateu em U$ 40 trilhões.
Os fatos não passaram desapercebidos no Irã: o chanceler Abbas Araghchi fez uma postagem no X reproduzindo informações e gráficos da CNN e do New York Times.
No texto, escreveu:
O assim chamado Dia D econômico é diversionismo da própria crise estadunidense: dívida sem precedentes e crescente aumento dos juros.
Na Segunda Guerra Mundial, o Dia D marcou o desembarque de tropas na Normandia e o início da derrocada da Alemanha na frente ocidental.
O fato concreto é que a guerra contra o Irã e o aumento do preço do petróleo impactaram a economia dos EUA.
Juros recordes em 20 anos
O Tesouro estadunidense está pagando mais de 5% de juros para captar dinheiro na venda de papéis que vencem em 30 anos.
Os EUA vão pagar U$ 1 tri só em juros em 2026.
Ao anunciar o Dia D, Trump disse que pretende punir todo e qualquer país que fizer negócios com o Irã.
Teerã está sob sanções desde os anos 80 do século passado.
Ou seja, sobreviveu a mais de 25 anos de bloqueio econômico do Ocidente.
Na quinta-feira, 20, os juros dos papéis de 30 anos do Tesouro estavam em 5,236%. Isso apesar da intervenção do secretário do Tesouro, Scott Bessent, que anunciou que recomprará até U$ 4 bi em papéis.
A ameaça de Trump ao Irã fez o preço de referência do petróleo voltar a subir, para U$ 93,75 o barril nesta quinta-feira, 20.
Ou seja, o ocupante da Casa Branca está atirando contra o próprio pé, já que em novembro será renovada toda a Câmara dos EUA e um terço do Senado.
É a economia!
No centro da campanha, a capacidade de compra do eleitor.
O site Corrida à Casa Branca, especializado em previsões, estima em 54,2% a chance de o Partido Democrata assumir controle do Senado; em 71,6% a chance de ficar com o controle da Câmara.
Uma pesquisa da empresa Susquehanna em Michigan coloca o candidato socialista democrata Abdul El-Sayed com 46% contra 39% do republicano Mike Rogers na disputa por uma vaga no Senado.
Abdul centra a sua candidatura em cortar dinheiro para guerras no estrangeiro e investir em Michigan. O embate é visto como um termômetro eleitoral.
Donald Trump venceu em Michigan nas suas duas candidaturas à Casa Branca. Abdul é tido como vulnerável por ser muçulmano e defender o fim da polícia de imigração, o ICE.
O fato de que Abdul está liderando nas pesquisas mais recentes — mesmo sob pesado ataque dos republicanos — é indicativo de que o custo de vida será o fator decisivo nas eleições que podem tornar Trump um “pato manco”.
Diante do espectro de uma derrota eleitoral, o presidente retomou a retórica de fraude.
* Revista Fórum

















