
Por Paulo Emílio
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta sexta-feira (28) que seu governo garantiu controle majoritário sobre mais de 65 bilhões de barris das reservas comprovadas de petróleo da Venezuela. Segundo o republicano, o entendimento foi articulado com o governo interino venezuelano e o setor privado e não terá custos para os contribuintes estadunidenses.
“Sob minha orientação, o Secretário de Estado Marco Rubio e o Secretário de Guerra Pete Hegseth — trabalhando em estreita colaboração com a altamente respeitada Presidente interina da Venezuela, Delcy Rodriguez, e por meio de uma parceria com o setor privado — garantiram o controle majoritário dos EUA sobre mais de 65 BILHÕES DE BARRIS de reservas comprovadas de petróleo na Venezuela, sem qualquer custo para o contribuinte americano”, escreveu Trump.
Segundo o presidente estadunidense, o volume envolvido no acordo seria suficiente para mais do que dobrar as reservas de petróleo dos Estados Unidos.
Venezuela concentra as maiores reservas do mundo
A dimensão do anúncio ganha relevância diante do tamanho das reservas venezuelanas. A Venezuela possui aproximadamente 303 bilhões de barris de petróleo em reservas conhecidas, o maior volume do planeta.
Atualmente, o país sul-americano produz cerca de 1,25 milhão de barris de petróleo bruto por dia. Desde janeiro, Washington tenta assegurar um fluxo estável da commodity venezuelana para as refinarias dos Estados Unidos.
A importância estratégica do petróleo da Venezuela para a Casa Branca aumentou ainda mais após a escalada do conflito com o Irã, que pressionou as cotações internacionais da commodity.
● Preço da gasolina pressiona governo Trump
O anúncio também ocorre em um momento politicamente sensível para Trump. Seu governo enfrenta pressão por causa da alta dos preços da gasolina antes das eleições de meio de mandato, previstas para novembro.
Nesse cenário, o acesso a petróleo venezuelano mais barato e uma eventual expansão da produção podem contribuir para reduzir a pressão sobre os preços dos combustíveis no mercado norte-americano.
Washington também busca alternativas para recompor a Reserva Estratégica de Petróleo dos Estados Unidos. Entre as possibilidades consideradas está a realização de trocas de petróleo bruto com produtores norte-americanos.
● Operação dos EUA retirou Maduro do poder
A investida estadunidense sobre o setor petrolífero venezuelano ocorre após a mudança política provocada pela operação militar realizada pelos Estados Unidos em 3 de janeiro.
Na ocasião, tropas dos EUA invadiram a Venezuela, sequestraram o presidente Nicolás Maduro e o retiraram do país. O presidente venezuelano foi levado a Nova York, onde permanece preso enquanto aguarda julgamento.
Após o sequestro de Maduro, Delcy Rodríguez, que ocupava a Vice-Presidência, assumiu interinamente o comando da Venezuela. Embora vinculada ao chavismo, sua administração passou a adotar medidas de aproximação com Washington, entre elas a libertação de dissidentes políticos e o envio de petróleo aos Estados Unidos.
Desde a operação de janeiro, os Estados Unidos exercem, na prática, forte influência sobre os rumos políticos e econômicos venezuelanos.
● Petróleo ganha peso na estratégia de Washington
Marco Rubio tem defendido uma aproximação com Caracas principalmente em razão da importância da Venezuela no mercado internacional de petróleo.
O secretário de Estado já havia sustentado que o país deveria atravessar três etapas após a saída de Maduro: estabilização econômica, reorganização política e, posteriormente, uma transição para eleições.
Enquanto Washington amplia sua presença no setor energético venezuelano, a oposição do país e organizações de defesa dos direitos humanos pressionam por avanços mais rápidos nas negociações políticas. A cobrança também encontra apoio entre parlamentares democratas e republicanos no Congresso dos Estados Unidos.
O anúncio de Trump, no entanto, coloca a dimensão energética no centro da nova relação entre Washington e Caracas. Os mais de 65 bilhões de barris mencionados pelo presidente correspondem a aproximadamente um quinto das reservas conhecidas da Venezuela e reforçam o peso do petróleo venezuelano na estratégia econômica e energética dos Estados Unidos.
Redação com Brasil 247


















