Anadia/AL

13 de julho de 2024

Anadia/AL, 13 de julho de 2024

“Uma bomba pode cair e acabar com tudo”: ucranianos contam a vida próximo ao front de guerra

A Rússia tem intensificado seus ataques no leste da Ucrânia desde o início de uma ofensiva em Kharkiv, há um mês. A pressão também aumenta na região vizinha de Donetsk e tropas se aproximam de Kramatorsk, última cidade do Donbass, no leste, que permanece sob o controle de Kiev. Em meio a esse contexto, os moradores tentam levar uma vida normal, mesmo vivendo a apenas 24 quilômetros do front de guerra.

ABN - Alagoas Brasil Noticias

Em 19 de junho de 2024

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Foto: Reprodução/Redes Sociais

Em um igreja de Kramatorsk, o pastor Evgueni Povenko acompanha os refugiados dos vilarejos vizinhos, que escaparam dos ataques russos e se preparam para pegar o trem para Kiev. “Há cerca de dois meses a cidade de Avdiivka foi tomada. Desde então, o front de guerra está cada vez mais próximo”, diz. “Se eu pensar racionalmente, entendo que estamos em perigo, mas não sinto isso, porque estamos vivendo bem”, relativiza o pastor.

O religioso explica que os combates estão acontecendo a apenas 24 quilômetros de distância de Kramatorsk, um dos bastiões ucranianos do Donbass que ainda não foi tomado pelos russos. “O front de guerra está avançando muito lentamente e sem grandes avanços. Isso é um pouco reconfortante”, pondera Povenko.

Diante de sua igreja, as crianças brincam em um trampolim normalmente, apesar dos alertas aéreos que soam várias vezes ao dia. Em um parque nos arredores, moradores passeiam em ruas relativamente vazias, onde é possível ver alguns abrigos instalados para que a população se proteja em caso de um ataque.

Abrigo anti-bombas em bairro residencial de Kramatorsk, no leste da Ucrânia, em 13 de junho de 2024

Abrigo anti-bombas em bairro residencial de Kramatorsk, no leste da Ucrânia, em 13 de junho de 2024 © Anastasia Becchio/RFI

“Não paro de pensar que uma bomba pode cair e acabar com tudo”, desabafa Svitlana, uma aposentada que, após ter se refugiado por alguns meses na Alemanha no início da guerra, retornou à sua cidade natal, onde vive seu neto. “Ainda não consigo me adaptar”, diz ela. “Além disso, o front está realmente muito perto”, insiste.

A aposentada tenta manter a esperança, mas não consegue esconder o pessimismo. “Não sei se as coisas voltarão a ser como eram. Eu realmente gostaria que meus filhos e netos tivessem um futuro”, diz, antes de confessar que não descarta se refugiar novamente na Alemanha.

As forças de Moscou intensificam os ataques na região para “levar as tropas ucranianas à exaustão” antes da chegada da ajuda ocidental, de acordo com o chefe do Exército, Oleksandre Syrsky.

Cortes de eletricidade

Enquanto isso, a Ucrânia também tenta se adaptar diante dos estragos provocados pelos ataques de Moscou em suas infraestruturas. As autoridades vão instaurar cortes parciais de eletricidade em todo o país a partir desta quarta-feira (19), para aliviar a rede elétrica gravemente danificada pelos bombardeios russos.

“No dia 19 de junho, todas as empresas regionais de distribuição de eletricidade introduzirão cortes de energia de hora em hora para a indústria e as residências”, informou o grupo fornecedor de energia Ukrenergo, acrescentando que essas medidas se estenderão por 24 horas.

Ataques maciços de drones e mísseis russos devastaram muitas estações de energia ucranianas, criando escassez e forçando Kiev a importar eletricidade de seus vizinhos europeus.

Fonte: RFI

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