A família é sagrada quando vive e transmite a fé. A fé é dom de Deus concedido a todos. Quem acolhe esse dom, orienta a vida em atenção a Deus e manifesta a fé por suas atitudes. A fé é opção de orientar a vida não simplesmente por aquilo que vemos, que queremos, que nos interessa ou convém, mas por Deus e por tudo aquilo que Ele nos revelada e nós cremos. Viver a fé se traduz no empenho de conformar a vida à vontade de Deus e isso inclui também transmiti-la às novas gerações quer pelo exemplo, quer pela instrução.
A família é sagrada quando dá atenção à Palavra de Deus. Palavra que expressa a vontade do Senhor e nos revela o sentido mais profundo de nossa existência, o que nos realiza e nos faz felizes. Maria Santíssima, ao acolher a Palavra que lhe foi dirigida, “conservava todas essas coisas e as guardava em seu coração” (Lc 2,19). Assim, Maria é exemplo de quem acolhe a Palavra de Deus em toda sua plenitude e vive, coerentemente, o que acolheu.
A oração também faz a família sagrada, sobretudo a oração que brota da contemplação da vida de Jesus e da meditação de sua Palavra. Essa oração aproxima de Deus com intimidade e profundidade, faz viver em sua presença; deve ser ensinada e cultivada em família. “A casa de Nazaré, com efeito, é uma escola de oração onde se aprende a escutar, a meditar e a compreender o significado profundo da manifestação do Filho de Deus, tendo como exemplo Maria, José e Jesus” (Bento XVI, 28/12/2011). Segundo a tradição judaica, cabia ao homem conduzir a oração doméstica (cf. Ex.12,26). Com certeza São José cumpriu essa função na família de Nazaré.
Reproduzo aqui significativas palavras de Bento XVI sobre a oração em família. “A Sagrada Família é ícone da Igreja doméstica, chamada a rezar unida. A família é Igreja doméstica, e deve ser a primeira escola de oração. Na Família, desde a mais tenra idade, as crianças podem aprender a compreender o sentido de Deus, graças ao ensinamento e ao exemplo dos pais: viver numa atmosfera marcada pela presença de Deus. Uma educação autenticamente cristã não pode prescindir da experiência da oração. Se não se aprende a rezar em família, será difícil depois conseguir preencher esse vazio. Gostaria, pois, de convidá-los a redescobrir a beleza de rezar juntos como família, na escola da Sagrada Família de Nazaré. E assim, a se tornarem de fato um só coração e uma só alma, uma verdadeira família” (AG 28 dez.2011). Peço aos Ministros Ordenados e aos Fiéis desta Diocese que, insistentemente, incentivem e promovam a oração em família a partir da leitura, reflexão e partilha da Palavra de Deus. Que nossas famílias sejam sagradas, que acolham a Deus e sejam por Ele conduzidas, protegidas, amparadas e, assim, muito felizes!
Dom Wilson Angotti
Bispo da Diocese de Taubaté
*Diocese de Taubaté

















