O presidente Luiz Inácio Lula da Silva refletiu sobre os legados de seus governos, a superação do período em que esteve preso em Curitiba e as motivações para disputar uma nova eleição presidencial em 2026, informa o levantamento de trechos da entrevista concedida pelo chefe do Executivo nesta sexta-feira (14) a Déia Freitas, do canal Não Inviabilize, e ao podcast As Cunhãs.
Lula classificou o retorno ao Palácio do Planalto como o maior reconhecimento popular possível. Ele relembrou um momento marcante durante um comício no Ceará, quando ouviu uma demonstração de carinho da população: “Aquela mulherada do Ceará começou a gritar ‘Lula, ladrão, roubou meu coração’. Foi a coisa mais extraordinária, a primeira coisa que ouvi esse grito. Eram milhares de mulheres gritando. Eu voltei gratificado. Quando eu saí, me coloquei como presidente outra vez e ganhei as eleições, acho que não tem gratificação maior para um ser humano do que o reconhecimento do seu povo de que você era inocente.”
● Legado social e superação da fome
Projetando o futuro e a construção da narrativa para o pleito de 2026, o presidente questionou as razões que o levam a considerar um quarto mandato e enumerou as marcas históricas de suas gestões na inclusão social, educação e infraestrutura.
“Já vou passar para a história como o presidente que mais fez universidades na história do Brasil, que mais fez institutos federais, que mais colocou estudantes nas universidades, que criou o Pé-de-Meia, que criou o maior programa habitacional da história do Brasil, que criou o Farmácia Popular, o SAMU, o Agora Tem Especialistas, o Brasil Sorridente, o Luz para Todos, o Gás do Povo”, elencou Lula, desafiando críticos a compararem sua gestão a outros períodos do país: “Pegue a história do Brasil para saber se alguém fez 10% das políticas de inclusão social que nós fizemos.”
Entre as maiores realizações de seus governos, Lula enfatizou a erradicação da fome e grandes obras estruturantes, como a Transposição do Rio São Francisco, que nenhum outro presidente teve a coragem de executar. “Nós acabamos com a fome nesse país duas vezes. Quando eu entrei em 2003 eram 54 milhões de pessoas em situação de fome. Depois voltei em 2023 e tinham 33 milhões. Em dois anos acabamos com a fome. Isso é uma marca que me dá satisfação”, pontuou, resgatando o compromisso firmado em seu primeiro discurso de vitória em 2003.
● Educação, inovação e soberania no topo das prioridades
Ao abordar o atraso histórico na formação educacional do povo brasileiro, o presidente criticou a negligência das elites do país ao longo dos séculos. “Os pobres nesse país nunca foram respeitados. Por que o Brasil só foi ter sua primeira universidade federal 420 anos depois da descoberta? Porque a elite brasileira achava que os pobres não precisavam estudar. Se tivessem feito no tempo certo, o Brasil seria outro”, criticou.
É justamente essa lacuna histórica que fundamenta sua disposição em disputar novamente o comando do país. Lula detalhou as diretrizes centrais que devem nortear um eventual quarto mandato, colocando o salto de qualidade do Brasil e a consolidação geopolítica como metas prioritárias.
“Isso me leva a pensar o que fazer num quarto mandato. Eu sou candidato a presidente da República porque acho que temos que dar um salto de qualidade no Brasil. Quero levar o Brasil ao padrão dos países altamente desenvolvidos. E começa pela educação. Não há exemplo no mundo de qualquer país que tenha se desenvolvido sem antes investir na educação. Investir muito na engenharia, em matemática, inteligência artificial”, projetou.
Por fim, o chefe do Executivo ressaltou que a geopolítica mundial exige uma postura firme de autodefesa e liderança internacional. “A segunda coisa que quero fazer é colocar a soberania e a defesa nacional no topo, porque o mundo está muito nervoso”, concluiu Lula.
Redação com Brasil 247
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