“Mãe de Cinco”, “Blogueira do Povo”, “Xicote do Quatí”, “Jefferson Abacate” e “Lula de Alagoas”. Em meio a centenas de pedidos de registro apresentados à Justiça Eleitoral, candidatos de Alagoas apostam em apelidos, profissões, patentes e referências familiares ou territoriais para serem reconhecidos pelos eleitores nas urnas em outubro.
O levantamento feito pelo CadaMinuto considera os nomes informados pelos candidatos no DivulgaCandContas, sistema do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), consultado na manhã desta segunda-feira (17). A relação ainda poderá sofrer alterações durante o julgamento dos pedidos de registro.
Os quatro candidatos ao Governo mantiveram identificações já conhecidas no meio político: JHC, Renan Filho, Lenilda Luna e Márcio Jambo. A criatividade aparece com maior frequência entre os concorrentes a deputado federal e estadual, que precisam disputar a atenção do eleitor em listas mais extensas.
Entre os exemplos estão Luana Mãe de Cinco, A Blogueira do Povo, Xicote do Quatí, Jefferson Abacate, Zebrão Leite, O Galego, Tonhão do Bloco, Mamulengo das Alagoas e Fofa Borges.
Há ainda quem tenha buscado uma associação com figuras políticas conhecidas. Daniel Vieira da Silva registrou “Lula de Alagoas” como nome de urna. Marina Antunes Candia e Figueiredo, candidata ao Senado, adotou “Marina JHC”, incorporando ao nome a identificação eleitoral do marido e candidato ao Governo, JHC.
Patentes e profissões chegam às urnas
As forças de segurança formam um dos grupos mais presentes entre os nomes de urna. Ao menos 18 registros fazem referência direta a patentes, cargos ou instituições da área.
A lista inclui Delegado Fabio Costa, Delegado Leonam, Cabo Bebeto, Sargento Amanda, Sargento Xavier, Tenente Karol Alves, Major Paulo Nunes, Coronel Xavier, Coronel Fragoso, Coronel Rocha Lima e Ivanildo Policial.
Outros candidatos escolheram nomes como Flávio Moreno da Federal, Fabiano, o Federal, Ramon Federal e PRF Lyara. O uso dessas identificações não significa, por si só, que a Justiça Eleitoral já tenha reconhecido ou validado a atividade profissional informada.
A área da saúde também foi incorporada à identidade eleitoral. Ao menos 11 pedidos apresentam “doutor”, “doutora”, “Dr.” ou “Dra.” no nome escolhido. Entre eles estão Dr. Wanderley, Doutor David, Dr. Márcio, Dr. Ronaldo Luz, Dra. Kassynara, Dra. Marize Carneiro e Dra. Eudocia.
Na educação, aparecem Professora Carol, Professor Beto Brito, Professor Dilson, Professor Reinaldo, Professora Maria José e Professor Nivaldo Mota. Outros preferiram ocupações diferentes, como Fernandinho Enfermeiro, Enfermeira Fabrícia Ferreira, Enfermeira Hulda Alves, Cantor Zé Luiz e Cantor Israel Santos.
Religião como marca eleitoral
A ligação com grupos religiosos também aparece nas escolhas feitas pelos candidatos. Pelo menos sete nomes trazem títulos ou referências à atuação em igrejas.
Estão entre eles Pastor Wellington do Pinheiro, Pastor João Luiz, Pra. Claudia Balbino, Pst. Givonaldo, Irmã Nazaré, Irmão Alberto e Bispo Filho.
A estratégia permite que o candidato seja rapidamente associado a uma comunidade religiosa, mesmo antes de o eleitor conhecer suas propostas ou trajetória política.
Família e sobrenomes conhecidos
Os vínculos familiares também ganharam espaço nas urnas. O termo “filho” aparece nos nomes escolhidos por Renan Filho, Davi Davino Filho, Gilvan Filho, Renato Filho, Chico Filho e Bispo Filho.
Em alguns casos, o sobrenome permite uma associação imediata com grupos políticos de Alagoas. Álvaro Lins Pereira de Lira, filho do deputado federal e candidato ao Senado Arthur Lira, registrou o nome “Alvinho Lira” para disputar uma vaga na Câmara dos Deputados.
Bairros, cidades e causas
Parte dos candidatos tentou estabelecer uma ligação direta com o lugar onde atua ou pretende concentrar sua campanha. É o caso de Ceci de Atalaia, Flávia da Grota do Ipanema, Neno da Laje, Samyra do Basto, Cris de Madrí, André da Onça e Willames do Centro.
Causas e segmentos sociais também foram incorporados. A relação apresenta Alycia da Bancada Negra, Lau da Causa Animal, Comendador da Causa Animal, Débora da Saúde, David do Emprego, Airton da Vigilância e Izael do Sinteal.
Outros nomes buscam transmitir proximidade com o eleitor por meio de apelidos ou da atividade desenvolvida nas redes sociais, como A Blogueira do Povo, Danilo da Mídia e Cidinha da Transformação.
O que diz a legislação
De acordo com a Resolução nº 23.609/2019, o nome que constará na urna pode ter até 30 caracteres, considerando os espaços.
O candidato pode usar prenome, sobrenome, apelido, nome abreviado ou a identificação pela qual é mais conhecido. A escolha, porém, não pode provocar dúvida sobre a identidade, atentar contra o pudor ou ser considerada ridícula ou irreverente.
Nos casos em que dois candidatos solicitam o mesmo nome, a Justiça Eleitoral considera critérios como o exercício recente de mandato, o uso da identificação em eleições anteriores e a notoriedade do nome na vida política, social ou profissional.
Os nomes apresentados no Divulga Cand fazem parte dos pedidos de registro. As versões definitivas que aparecerão nas urnas dependem da análise da Justiça Eleitoral.
Redação com Cada Minuto
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