Por: Roberta Nuñez
Todos os dias, executivos tomam decisões que movimentam milhões de reais.
A maioria acredita estar agindo de forma totalmente racional, baseada em dados e análises, mas a ciência mostra que nem sempre é assim.
Sob pressão, o cérebro tende a recorrer a atalhos mentais que aceleram o processo de decisão, mas também aumentam o risco de erros estratégicos.
Esses atalhos são conhecidos como vieses cognitivos.
Eles ajudam o cérebro a economizar energia em situações do dia a dia, porém podem influenciar julgamentos importantes dentro das empresas, afetando desde investimentos e contratações até negociações, inovação e gestão de crises.
Para a empresária, palestrante, doutora em Administração de Negócios e neurocientista Érica Belon, compreender esse funcionamento é uma necessidade cada vez maior para líderes que ocupam posições estratégicas.
“O cérebro humano foi desenvolvido para garantir nossa sobrevivência, não para administrar organizações complexas. Em momentos de pressão, ele busca respostas rápidas e nem sempre as decisões mais acertadas.”
Segundo ela, um dos maiores desafios da liderança moderna é justamente reconhecer que ninguém está imune aos próprios vieses.
O excesso de confiança, a dificuldade em mudar de opinião diante de novas evidências, a influência das emoções e até decisões baseadas em experiências passadas podem comprometer resultados sem que o gestor perceba.
É nesse contexto que cresce o interesse pela neurogovernança, abordagem que une conhecimentos da neurociência, comportamento humano e governança corporativa para tornar os processos decisórios mais conscientes.
A proposta não é eliminar a intuição, mas criar mecanismos que reduzam interferências inconscientes e aumentem a qualidade das decisões.
Na prática, isso significa estimular debates mais diversos, questionar certezas aparentemente absolutas, utilizar dados de forma crítica e criar ambientes onde opiniões divergentes possam ser consideradas antes de uma decisão estratégica.
O tema ganha relevância em um cenário de mudanças aceleradas, no qual empresas precisam responder rapidamente a transformações econômicas, tecnológicas e sociais.
Para especialistas, desenvolver líderes capazes de compreender o funcionamento da própria mente pode representar uma vantagem competitiva tão importante quanto investir em tecnologia ou inovação.
A liderança do futuro passa também por aprender a administrar o próprio cérebro.
Afinal, decisões estratégicas continuam sendo tomadas por pessoas e entender como elas pensam pode ser um dos caminhos para reduzir erros, fortalecer a governança e construir empresas mais preparadas para ambientes de alta complexidade.
Redação com IG/ Saúde

















