Anadia/AL

29 de agosto de 2026

Anadia/AL, 29 de agosto de 2026

Lula rebate Flávio por reduzir crise climática a saneamento: “Amadorismo irresponsável”

Lula criticou diretamente a tentativa de Flávio em reduzir o enfrentamento das mudanças climáticas ao saneamento básico, durante sabatina no JN

ABN - Alagoas Brasil Noticias

Em 29 de agosto de 2026

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Crédito: Ricardo Stuckert/PR I Waldemir Barreto/Agência Senado

Por: Laís Gouveia

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva rebateu Flávio Bolsonaro (PL) após a participação do candidato à Presidência na sabatina do Jornal Nacional desta sexta-feira (28) e acusou o adversário de tratar a crise climática de maneira superficial e marcada pelo negacionismo. Em publicação feita em sua conta no X, Lula contrapôs a abordagem apresentada por Flávio com dados sobre investimentos federais em saneamento, prevenção de desastres, energia renovável, segurança hídrica e proteção ambiental.

Na postagem, Lula criticou diretamente a tentativa de reduzir o enfrentamento das mudanças climáticas ao saneamento básico. O presidente associou esse tipo de abordagem à rejeição de evidências científicas e afirmou que governar um país exige respostas estruturadas para fenômenos complexos.

“Negar o aquecimento global em pleno século XXI e reduzir o combate às mudanças climáticas a saneamento básico dá a dimensão do amadorismo irresponsável de quem se propõe a governar um país. É retrato de gente que vende soluções simples para problemas complexos. É da lavra do povo que nega a importância das vacinas e de gente que anda acompanhado de quem prega o fim do voto feminino. Gente que não ouve a ciência.”

O presidente ressaltou que o saneamento básico é uma política indispensável, mas argumentou que não pode ser apresentado como resposta suficiente para a emergência climática.

“E que fique claro: saneamento básico é fundamental. Tanto que, desde 2023, destinamos R$ 23 bilhões para obras de abastecimento, esgoto e resíduos, além de R$ 3,5 bilhões para destravar obras abandonadas anteriormente. Mas enfrentar a crise climática de verdade exige muito mais. Demanda compromisso. Antecipação. Trabalho em várias frentes.”

Entre as medidas destacadas por Lula está a criação de uma Sala de Situação destinada a discutir os possíveis efeitos do El Niño em 2026. Segundo o presidente, o mecanismo reúne 24 ministérios e dezenas de especialistas envolvidos em áreas que vão da saúde e da energia à assistência social, segurança alimentar, monitoramento de rios e sistemas de alerta.

Para essa estrutura de preparação e resposta, Lula informou que foram destinados R$ 1,3 bilhão. A estratégia busca aumentar a capacidade do poder público de reagir a enchentes, estiagens, ciclones, deslizamentos e incêndios.

“Isso nos garante previsibilidade. Não temos o poder total de conter ou antecipar ciclones, enchentes, estiagens, deslizamentos, incêndios. Mas temos planos claros de ação.”

Lula também apontou investimentos de R$ 18,6 bilhões do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) em drenagem urbana e contenção de encostas. O presidente destacou ainda a modernização dos sistemas de alerta operados pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), que, segundo os dados apresentados, alcançam 1.427 municípios.

A Defesa Civil também passou a utilizar alertas enviados diretamente aos telefones celulares das populações localizadas em áreas de risco, mecanismo destinado a ampliar a capacidade de prevenção diante da ocorrência de fenômenos extremos.

Outro ponto destacado pelo presidente foi a retomada do Fundo Amazônia. Lula lembrou que o mecanismo ficou paralisado durante a administração anterior e afirmou que cerca de R$ 500 milhões foram utilizados para modernizar equipamentos, comprar veículos e estruturar bases destinadas à atuação ambiental.

Segundo o presidente, o país ampliou a disponibilidade de helicópteros, aviões, viaturas e outros equipamentos empregados no combate a incêndios. As ações incluem ainda o mapeamento de áreas consideradas críticas.

Na área social, Lula citou a formação de estoques emergenciais de alimentos para enfrentar situações de crise. No Sistema Único de Saúde (SUS), foram criados Centros de Informação em Clima e bases regionais da Força Nacional do SUS, segundo o balanço apresentado pelo presidente.

A política energética também foi utilizada como contraponto à fala de Flávio Bolsonaro. Lula afirmou que o governo trabalha com investimentos de R$ 118 bilhões em geração renovável e de R$ 107 bilhões em transmissão de energia. Segundo ele, a expansão equivale à capacidade instalada de duas usinas de Itaipu.

Lula relacionou essas medidas à recuperação da política ambiental iniciada em 2023. Segundo os números apresentados na postagem, o desmatamento caiu 50% na Amazônia, 32,5% no Cerrado e 63% no Pantanal.

O presidente também citou o fortalecimento do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Em 2026, segundo Lula, o contingente federal chegou a 4,4 mil brigadistas distribuídos pelos cinco biomas, número 40% superior ao registrado em 2022.

No plano internacional, Lula destacou a realização da COP30 no Brasil e afirmou que o país retomou protagonismo nas negociações relacionadas a financiamento climático e conservação florestal. O presidente vinculou a preservação ambiental à proteção das populações que vivem nas florestas e nas margens dos rios.

Ao final da publicação, Lula elevou o tom contra a visão apresentada pelo adversário na sabatina e vinculou a capacidade de enfrentar a crise climática ao preparo necessário para exercer a Presidência da República.

“Governar o Brasil não é para aventureiros. Quem não entende a gravidade das questões conectadas ao clima, opera na lógica de “passar a boiada” e enxerga o mundo com a lente embaçada do negacionismo, certamente não tem preparo para guiar o futuro de uma nação.”

Redação com Brasil 247 

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