Anadia/AL

6 de outubro de 2026

Anadia/AL, 6 de outubro de 2026

Eduarda Campopiano é denunciada ao MP por falas racistas e transfóbicas

Deputadas pedem investigação sobre declarações que associam povos indígenas ao canibalismo e atacam a identidade de gênero de Erika Hilton; Campopiano foi eleita deputada estadual por São Paulo e não apresentou propostas na campanha

ABN - Alagoas Brasil Noticias

Em 6 de outubro de 2026

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Foto: Reprodução/Redes Sociais

Por: Giovanne Ramos
A deputada federal reeleita Sônia Guajajara (PSOL-SP) e a psicóloga e ativista Sofia Favero (PSOL-SP), eleita deputada estadual, acionaram o Ministério Público Estadual contra a vereadora de Praia Grande (SP) e deputada estadual eleita Eduarda Campopiano (PL). As representações tratam de declarações sobre povos indígenas e de uma publicação contra a deputada federal reeleita Erika Hilton (PSOL-SP), que é uma mulher trans. As informações são da Folha de S.Paulo.

A assessoria jurídica de Guajajara informou que apresentará uma notícia-crime ao Ministério Público Federal (MPF) por declarações feitas por Campopiano em maio deste ano, no podcast RedCast.

Na ocasião, ela associou povos indígenas ao canibalismo e mencionou supostas práticas de violência contra crianças. Guajajara também pretende cobrar providências sobre um boletim de ocorrência registrado à época pela rapper indígena Katú Mirim.

O segundo caso foi levado ao Ministério Público de São Paulo (MP-SP) por Favero após uma publicação de Campopiano na rede social X, antigo Twitter, sobre Erika Hilton. A representação foi apresentada na segunda-feira (5) ao Grupo Especial de Combate aos Crimes Raciais e de Intolerância do MP-SP.

Declarações contra povos indígenas

Durante a participação no podcast, Campopiano afirmou que, sem a catequização, povos indígenas estariam praticando canibalismo no Brasil. Na mesma fala, mencionou sacrifícios e o enterro de crianças e atribuiu à colonização e à catequização a interrupção dessas práticas.

A fala já havia motivado um boletim de ocorrência registrado pela rapper indígena Katú Mirim. Agora, a assessoria jurídica de Guajajara pretende levar o caso ao MPF e solicitar providências sobre o episódio.

Guajajara classificou as declarações como discriminatórias e ofensivas. Para a deputada, o exercício de um cargo público exige respeito à diversidade, à liberdade religiosa e aos direitos das minorias.

Publicação contra Erika Hilton

A representação apresentada por Sofia Favero ao MP-SP trata de uma publicação feita por Campopiano contra Erika Hilton. Na postagem, a vereadora se referiu à deputada como “homem biológico” e questionou como seria para Hilton saber que nunca ocuparia o espaço da mulher mais votada de São Paulo.

Erika Hilton foi reeleita deputada federal no domingo (4), com 1,5 milhão de votos. Segundo a representação, a publicação de Campopiano alcançou mais de 3 milhões de visualizações.

Favero afirma que a postagem desrespeita a identidade de gênero de Hilton e a expõe a escárnio, humilhação e violência por parte de seguidores da autora da publicação.

A deputada estadual eleita também pede que seja investigada a possibilidade de transfobia e de violência política de gênero, por se tratar de um ataque à identidade de gênero de uma mulher que exerce mandato eletivo.

Na representação, Favero afirma que a publicação ultrapassa os limites da liberdade de expressão e constitui manifestação discriminatória contra Erika Hilton. Ela pede a instauração de inquérito policial para apurar os fatos.

Quem é a autora das declarações

Maria Eduarda Campopiano Monteiro, de 23 anos, é vereadora de Praia Grande e foi eleita deputada estadual em São Paulo pelo Partido Liberal (PL) nas eleições de 2026. Natural de Campinas, passou a ganhar projeção nas redes sociais a partir de 2021 e, em 2023, atuou como comentarista do programa Linha de Frente, da Jovem Pan.

Campopiano declara oposição a pautas e candidatos de esquerda. Entre as posições que apresenta publicamente está a defesa da criminalização do aborto. Ela também já se identificou nas redes sociais como “inimiga número um das feministas”.

Segundo dados da Justiça Eleitoral, declarou como ocupação o cargo de vereadora, informou ter ensino médio completo e não declarou bens. A campanha para deputada estadual arrecadou cerca de R$ 755 mil, dos quais mais de 90% vieram do diretório nacional do PL. A maior parte dos recursos foi destinada ao impulsionamento de conteúdo na internet.

Apesar da votação, o registro de candidatura não apresenta propostas. A informação consta na ficha eleitoral publicada pela CNN Brasil com base em dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). No campo destinado às propostas, o registro informa que “O candidato não apresentou nenhuma proposta”.

*Alma Preta

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