Anadia/AL

8 de outubro de 2026

Anadia/AL, 8 de outubro de 2026

Do Esquadrão da Morte às milícias, extrema direita sempre operou ao lado do crime

ABN - Alagoas Brasil Noticias

Em 8 de outubro de 2026

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Foto: Reprodução

Na tradição brasileira, grupos de policiais saem às ruas quando chega a madrugada, para uma missão rotineira, ainda que fora da agenda oficial. Entre os homens da lei, estão paramilitares, por assim dizer. São paisanos que se juntam aos parceiros de farda na tarefa de fazer uma “limpeza” na sociedade. Hoje se fala em “cancelar CPF”. Mudam as palavras, mas a essência da “atividade” é a mesma desde os primórdios da República.

Aos cidadãos de bem, um aviso: não adianta brigar com a realidade e nem dar chilique. Está tudo documentado ao longo de décadas na imprensa e em investigações oficiais. Vamos logo citar Jair Bolsonaro e sua fala imortal sobre assassinos de aluguel. Quando deputado, ele incentivou e defendeu abertamente a atuação de milícias.

Escrevo sobre o tema após decisão do TSE desta quinta-feira 8 de outubro acerca da eleição fluminense. Decisão acertada, aliás. O problema é a consequência inevitável. O Rio de Janeiro terá mais um governador cujas ligações com o universo miliciano são, quando menos, temerárias. E não é de agora. O estranho vínculo tem algumas décadas.

Com a anulação dos votos de Anthony Garotinho, o deputado Douglas Ruas será proclamado governador eleito. Policial civil, ele é filho de Capitão Nelson, atual prefeito de São Gonçalo, município do estado dominado for facção miliciana. Nos anos 1980, na tropa da PM, o pai de Ruas integrava um grupo de extermínio que tocava o terror.

A histórica CPI das Milícias – base do filme Tropa de Elite – lista o pai do próximo governador nesses bandos de matadores. Hoje as coisas se misturam: “justiceiros”, milicianos, assassinos por encomenda… E tem de tudo nas ações criminosas – de guerra de traficantes a lavavam de dinheiro, passando por contrabando e comércio clandestino.

Douglas Ruas é do PL puro sangue, parça e amigão de Flávio Bolsonaro e de outros figurões da ultradireita. Ele é investigado por suspeitas de virar um ricaço justamente com o auxílio operacional de milícias. Interesses comuns e ideais patrióticos de vida se juntam para “redemocratizar o Brasil”, por que não? O panorama é assustador.

As eleições para o Congresso Nacional acabam de fortalecer o bloco dos adeptos e simpatizantes desse universo da morte. Gente como o senador eleito Guilherme Derrite, o matador da PM paulista. É a elite da tropa miliciana no topo do poder. Nas Assembleias estaduais temos a mesma onda. A “nova direita” brazuca manda bala.

Nas Alagoas de antigamente (e em outros estados) havia o Esquadrão da Morte. Repaginados, com harmonização no focinho, os matadores de hoje usam terno e gravata – e estão protegidos por mandatos eletivos. É o processo de evolução natural da espécie.

Fonte: TNH1 –  Blog do Celio Gomes

 

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