Anadia/AL

23 de outubro de 2026

Anadia/AL, 23 de outubro de 2026

“Flávio Bolsonaro tem boca de tubarão para dinheiro e será preso mais cedo ou mais tarde”, diz Joice Hasselmann, com exclusividade, à TV 247

Ex-deputada mais votada da história do Brasil, que já foi símbolo do antipetismo, diz que vomitou quando se deu conta do grau de corrupção do senador.

ABN - Alagoas Brasil Noticias

Em 23 de outubro de 2026

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Joice Hasselmann, ex-deputada federal Crédito: Brasil 247

Em uma entrevista explosiva concedida à TV 247, a jornalista e ex-deputada federal Joice Hasselmann expôs sem meias-palavras as entranhas do clã Bolsonaro e traçou um prognóstico sombrio sobre o futuro judicial do filho mais velho do ex-presidente. Mulher mais votada da história da Câmara dos Deputados em 2018 e ex-líder do governo no Congresso, Joice afirmou com veemência que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) enfrentará a cadeia devido ao seu envolvimento em esquemas de corrupção e à sua ambição desenfreada.

● A profecia da prisão: “Ele vai ser preso mais cedo ou mais tarde”

Durante a entrevista, Joice relembrou que todas as previsões que fez no passado sobre prisões de aliados do bolsonarismo se confirmaram, citando nomes que acabaram no banco dos réus e atrás das grades após deixarem o poder. Ao analisar a situação de Flávio Bolsonaro, a ex-parlamentar foi enfática:

“Quando eu digo em entrevista que o Flávio vai ser preso, tem gente que duvida: ‘Como ele vai ser preso?’ Mas ele vai ser preso mais cedo ou mais tarde. Ganhando ou perdendo eleição, assim que deixar o mandato ou até no meio do caminho, ele será preso. Lembrem-se de que o Michel Temer foi preso. Tudo o que eu avisei na tribuna lá atrás aconteceu, e com o Flávio não será diferente. É bandidagem em nível de cadeia mesmo: desvio de dinheiro público, lavagem de dinheiro, corrupção.”

● O choque no apartamento da Barra: “Saí dali e vomitei no aeroporto”

A ruptura moral com o primogênito de Jair Bolsonaro começou ainda em 2018, antes mesmo do primeiro turno das eleições presidenciais. Na época, Joice foi até a residência de Flávio, no Rio de Janeiro, para discutir a formação da chapa presidencial e a escolha do nome para a vice-presidência. Ao cruzar a porta do imóvel, ela conta ter sido tomada por uma repulsa física incontrolável diante da ostentação do local:

“Eu vi a corrupção escancarada. Eu vi um apartamento nababesco, móveis caríssimos, obras de arte… tudo incompatível com o salário de um funcionário público, ainda que fosse o teto. Crianças em escola particular caríssima, a esposa iniciando a carreira como dentista… Bolsonaro me cogitou para vice e eu respondi: ‘Me queira bem, não me queira mal’. Eu saí dali e vomitei no saguão do aeroporto. Não consegui segurar nem para chegar ao banheiro.”

A constatação de enriquecimento ilícito fez com que Joice rejeitasse de imediato o convite para ser candidata a vice-presidente e se afastasse dos filhos do capitão: “Minha vida pública foi combater a corrupção. Eu não ia tirar foto com corrupto, não ia estar ao lado de um corrupto, não ia defender bandido.”

● “Boca de tubarão para dinheiro”

Ao dissecar as transações financeiras suspeitas de Flávio — que vão desde o caso clássico das “rachadinhas” da Alerj até as negociações imobiliárias nababescas, suspeitas de sociedade oculta em negócios empresariais e a compra de mansões milionárias em Brasília —, Joice descreveu um padrão de conduta dominado pela voracidade:

“O Flávio gosta muito de dinheiro. Muito. O que a gente está vendo de jatinho, sócio oculto de empresa e mansões é pouco. Ele vai querer sempre mais, ele é insaciável. O Flávio Bolsonaro tem boca de tubarão para dinheiro.”

A ex-deputada desafiou a matemática do patrimônio do senador, ressaltando que seus rendimentos oficiais jamais cobririam o custo de vida ostentado:

“Pensa comigo: o Flávio ganha cerca de R$ 40 mil brutos como senador. Com descontos, sobram uns R$ 35 mil limpos. Ele comprou uma mansão que dizem que foi por R$ 6 milhões, mas que na verdade vale pelo menos R$ 14 milhões. Tem piscina, jardim, funcionários, manutenção pesada, colégio de alto padrão… Quem ganha R$ 35 mil sustenta isso como? Eu sempre afirmei como jornalista: se um político entrou remediado na política e enriqueceu sem ter recebido herança, ele está roubando. Não existe mágica.”

● Gabinete do ódio, atentado e a defesa da democracia

A postura independente de Joice no início de 2019 e suas recusas em acobertar os negócios da família transformaram a parlamentar no alvo número um da máquina de difamação digital bolsonarista, operada a partir do Palácio do Planalto. Joice revelou como atuou para abastecer o Supremo Tribunal Federal com provas do funcionamento do Gabinete do Ódio, o que desencadeou o Inquérito das Fake News.

A retaliação extrapolou as redes:

“Quem mandou os ‘kids pretos’ na minha casa para me matar ou me deixar paraplégica foi o próprio Jair Bolsonaro. Me espancaram, quebraram minha coluna em cinco lugares e o rosto inteiro, e a polícia do Distrito Federal, comandada pelo Anderson Torres, veio com a tese absurda de ‘queda da própria altura’. Ninguém cai no chão e quebra a coluna em cinco lugares.”

Apesar de seu longo histórico como ponta de lança da Lava-Jato e da oposição ferrenha aos governos petistas, Joice Hasselmann justificou por que decidiu cruzar o rubicão e declarar voto em Luiz Inácio Lula da Silva:

“Eu voto no Lula porque voto contra o ditador, contra o crime organizado instalado no poder e em defesa da sobrevivência da democracia. Se eu me calasse agora, faltasse o meu voto e o país caísse nas mãos dessa quadrilha por mais 20 anos, eu jamais me perdoaria. Meu compromisso é impedir a destruição do Brasil. No dia seguinte, vou para a oposição.”

Assista a íntegra da entrevista:

# Redação C/ Brasil 247

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