
Encerrada a eleição, começa outra fase de especulações na política alagoana: quem terá espaço no quarto governo de Lula? Nos bastidores, circulam nomes, sugestões de ministérios e apostas sobre o destino de aliados do presidente. Por enquanto, tudo está no campo da especulação.
Renan Filho, Renan Calheiros e Isnaldo Bulhões Jr. aparecem nessas conversas. Cada um tem peso próprio. E todos terão de considerar o resultado da eleição no Estado, em função da vitória de JHC do fortalecimento de seu grupo no Congresso.
Renan Filho tem dois caminhos. O primeiro, voltar ao Executivo, onde comandou o Ministério dos Transportes e recebeu elogios de Lula. O segundo, permanecer no Senado, com mandato até 2031, assumindo uma função de articulação do governo.
Um detalhe importante: Renan Filho segue com influência política no Ministério dos Transportes. O atual ministro, George Santoro, foi indicado por ele após sua desincompatibilização, em abril deste ano.
A hipótese de liderar o governo no Senado ou no Congresso já apareceu no noticiário nacional. Seu nome também foi mencionado para a Fazenda, segundo a Folha de S.Paulo. São possibilidades em discussão, sem indicação anunciada pelo presidente.
Voltar aos Transportes seria uma alternativa associada à experiência que acumulou na pasta. Uma mudança de área dependeria da avaliação de Lula e, sobretudo, da composição que o presidente conseguir construir com os partidos para o próximo mandato.
● O destino de Renan
Sem a reeleição, Renan Calheiros também passou a ser citado como possível integrante do novo governo. Nos bastidores, uma das pastas mencionadas é a Justiça, que ele já comandou no governo Fernando Henrique Cardoso.
A experiência de quem presidiu o Senado quatro vezes e a relação política com Lula podem pesar em uma eventual escolha. Mas a definição de ministros envolverá uma disputa maior, com aliados de diferentes estados e partidos buscando espaço.
● Isnaldo nas conversas
Outro nome mencionado é o de Isnaldo Bulhões para o Ministério das Cidades. O líder do MDB tem interlocução em Brasília e participa das principais negociações de sua bancada, mas não há confirmação de sondagem para a próxima gestão.
Sua situação é diferente da de Renan Calheiros. Reeleito deputado federal, Isnaldo poderá ampliar seu espaço na Câmara com a saída de Arthur Lira para o Senado. Uma eventual ida ao Executivo teria de ser comparada com a influência que pode exercer na liderança partidária e na eleição da nova Mesa.
● O peso de JHC
Essas possibilidades serão discutidas em um ambiente no qual o grupo de JHC saiu fortalecido. Além de conquistar o governo estadual, elegeu Marina Candia e Arthur Lira para o Senado e reuniu aliados em parcela expressiva da bancada federal.
Essa força aumenta a capacidade de participação do grupo nas negociações em Brasília. Não significa, entretanto, que o governador eleito possa impedir a nomeação de um adversário alagoano. A decisão será de Lula, levando em conta sua relação com os aliados e os compromissos nacionais com cada partido.
O MDB, por exemplo, negocia espaço em bloco. Seus interesses não se resumem à disputa entre os grupos de Alagoas.
A montagem do quarto governo ainda está no campo das articulações. Casa Civil e Fazenda concentram parte das especulações nacionais, e a definição dessas áreas ajudará a indicar como Lula pretende organizar a equipe e a relação com o Congresso.
Alagoas tem nomes com experiência para participar desse governo. Saber se haverá um ministro alagoano — e quem será — depende de negociações que ainda não produziram uma escolha anunciada.
# Gazeta Web



![]()















