Anadia/AL

10 de outubro de 2026

Anadia/AL, 10 de outubro de 2026

Afonso Florence cobra de Flávio Bolsonaro extratos de conta citada em investigação do INSS

Deputado do PT questiona ligação bancária com Willer Tomaz após divulgação de mensagens encontradas pela Polícia Federal.

ABN - Alagoas Brasil Noticias

Em 10 de outubro de 2026

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Deputado federal Afonso Florence (PT-BA) - Crédito: Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados

# Luis Mauro Filho

O deputado federal Afonso Florence (PT-BA) cobrou neste sábado (10) que o senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) divulgue os extratos bancários de uma conta que, segundo documentos obtidos pela Polícia Federal, estava vinculada ao acesso do advogado Willer Tomaz no Santander. O advogado é investigado por suspeita de participação em um esquema de lavagem de dinheiro relacionado aos descontos indevidos em aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

A cobrança ocorre após reportagem dos jornalistas Fabio Serapião e Natália Portinari, do UOL, revelar mensagens eletrônicas encontradas pela PF durante a Operação Sem Desconto. Os registros indicam que uma conta identificada com o nome de Flávio Bolsonaro estava associada ao mesmo usuário administrador ligado ao advogado. O Jornal do Brasil também repercutiu os documentos.

Florence, que já exerceu a liderança do PT na Câmara dos Deputados, questionou a relação bancária apontada nos registros e afirmou que a divulgação dos extratos permitiria esclarecer as dúvidas sobre a conta.

“Se a conta não existia, por que o escritório do advogado pediu ao banco que ela fosse retirada do acesso dele? O candidato pode encerrar essa dúvida hoje, abrindo os extratos. Quem pede o voto do aposentado deve essa resposta ao aposentado”, afirmou o parlamentar.

E-mails encontrados pela PF motivaram questionamento

As mensagens foram localizadas em arquivos armazenados na nuvem do advogado Willer Tomaz. Uma delas, datada de 22 de maio de 2025, mostra que uma funcionária de seu escritório solicitou ao Santander a retirada de uma conta identificada como pertencente a Flávio Bolsonaro do chamado “usuário master” relacionado ao advogado.

O banco confirmou a exclusão no mesmo dia. A correspondência estava relacionada à administração de acessos bancários que também envolviam a Alcazar Holdings, empresa sediada na Ilha da Madeira, em Portugal, da qual Tomaz é sócio.

O sistema de contas empresariais do Santander permite diferentes níveis de acesso. O usuário master dispõe de poderes mais amplos para administrar operações, enquanto usuários secundários possuem permissões específicas.

A vinculação identificada nas mensagens levantou dúvidas sobre quem tinha acesso à conta, como ela era administrada e se houve movimentações financeiras entre os envolvidos.

A documentação, entretanto, não comprova, por si só, a existência de transferências de recursos ilícitos para Flávio Bolsonaro nem identifica quem efetivamente movimentou os valores. A Polícia Federal considera necessário aprofundar a análise das operações financeiras de Tomaz e de suas empresas, além de investigar possíveis relações com agentes públicos.

Advogado é investigado por suspeita de lavagem de dinheiro

Willer Tomaz foi alvo de buscas autorizadas pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), em agosto, no âmbito da investigação sobre o esquema de descontos associativos indevidos em benefícios previdenciários.

Segundo os investigadores, o advogado teria desempenhado uma função relevante na estrutura financeira suspeita de movimentar recursos associados ao esquema. A apuração também examina suas relações com o senador Weverton Rocha (PDT-MA).

A Operação Sem Desconto investiga irregularidades que podem ter provocado desvios de até R$ 6,3 bilhões por meio de cobranças associativas realizadas sobre benefícios de aposentados e pensionistas.

Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz negam vínculo financeiro

Em manifestação encaminhada ao UOL, Flávio Bolsonaro negou que tivesse mantido uma conta com acesso administrativo controlado pelo advogado ou por empresas ligadas a ele.

O senador também afirmou que as acusações surgiram durante a campanha eleitoral e classificou as informações como falsas.

Willer Tomaz, por sua vez, negou ser proprietário da conta mencionada nas mensagens e disse que não criou qualquer usuário bancário em nome de Flávio Bolsonaro.

O advogado reconheceu manter uma relação de amizade com o candidato, mas negou a existência de vínculos comerciais ou financeiros entre os dois.

As manifestações dos envolvidos se contrapõem à interpretação dos documentos apresentada na investigação. A PF busca esclarecer a natureza da vinculação bancária e identificar eventuais movimentações relacionadas à conta.

# Brasil 247

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