Anadia/AL

8 de setembro de 2026

Anadia/AL, 8 de setembro de 2026

Ataques houthis atingem energia saudita

Ações dos houthis mostram tensão elevada e elevam o petróleo em meio à guerra com o Irã

ABN - Alagoas Brasil Noticias

Em 8 de setembro de 2026

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Foto: Reprodução/Redes Sociais

Ataques houthis feriram ao menos 73 pessoas, atingiram instalações de energia sauditas e elevaram o petróleo em meio à guerra com o Irã, ampliando o risco de o confronto envolver outras potências e países do Golfo. As ofensivas desta terça-feira (8) alcançaram quatro cidades no sul da Arábia Saudita, segundo autoridades locais.

As informações são da Reuters, que atribui os ataques ao movimento houthi, grupo apoiado por Teerã que controla as regiões mais populosas do Iêmen e grande parte do norte do país. O episódio ocorreu depois de o governo iraniano alertar que infraestruturas de petróleo e gás, inclusive as ligadas aos Estados Unidos, estavam vulneráveis.

Instalações energéticas atingidas registraram incêndios, enquanto bombeiros e equipes de emergência foram mobilizados para controlar as chamas. O Ministério da Energia da Arábia Saudita confirmou que várias pessoas ficaram feridas, mas não detalhou os danos nem identificou os empreendimentos alcançados.

A coalizão liderada por Riad no Iêmen afirmou que pelo menos 73 pessoas foram atendidas após ataques contra quatro cidades sauditas. Em comunicado publicado na rede social X, o porta-voz da força militar, coronel Turki al-Malki, prometeu uma resposta.

“A coalizão tomará todas as medidas operacionais necessárias para deter essa milícia terrorista e confrontará resolutamente sua abordagem hostil”, declarou.

A escalada provocou nova pressão sobre o mercado internacional de energia. As cotações do petróleo avançaram aos maiores níveis em mais de seis semanas, diante do receio de interrupções simultâneas no Mar Vermelho e no Estreito de Ormuz, duas rotas estratégicas para o comércio mundial.

O tráfego de navios mercantes voltou a diminuir nesta semana. As companhias de navegação já enfrentavam obstáculos no Mar Vermelho, onde os houthis declararam um bloqueio naval contra a Arábia Saudita em julho e passaram a atacar embarcações ligadas ao país.

A nova ofensiva evidencia a capacidade do movimento iemenita de pressionar Riad e ameaçar a infraestrutura energética regional. Também aumenta a possibilidade de uma resposta militar saudita, após meses de hostilidades associadas à guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã.

Irã anuncia zona de exclusão marítima

Em paralelo aos ataques, o Irã informou que pretende delimitar nos próximos dias uma nova área restrita no Golfo e divulgar mapas de um corredor de navegação pelo Estreito de Ormuz. O governo iraniano, porém, ainda não apresentou um calendário para a publicação das regras.

O secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, Mohsen Rezaei, afirmou à televisão estatal que a área começará no ponto em que, segundo Teerã, se inicia o bloqueio norte-americano contra o país. A zona deverá avançar pelo Golfo, e embarcações que entrarem no perímetro poderão ser incluídas em uma lista iraniana de sanções.

Rezaei reforçou as ameaças econômicas e militares em uma publicação no X.

“Nos últimos dias, Washington recebeu um aviso claro dos novos mísseis do Irã. A guerra econômica será respondida com uma zona de exclusão marítima em todo o Golfo Pérsico, até o perímetro do bloqueio. A postura operacional em relação aos navios de guerra e às bases dos Estados Unidos foi fundamentalmente recalibrada”, afirmou.

A referência aos “novos mísseis” provavelmente dizia respeito ao Qassem Basir, projétil balístico que, de acordo com veículos iranianos, teria sido disparado contra navios militares norte-americanos próximos ao Estreito de Ormuz. As Forças Armadas dos Estados Unidos disseram que suas embarcações evitaram eventuais ataques com mísseis.

Mesmo após sucessivas ofensivas norte-americanas reduzirem parte de suas forças convencionais, o Irã ainda mantém arsenais de drones e mísseis capazes de ameaçar navios petroleiros e países vizinhos que abrigam bases militares dos Estados Unidos.

Conflito aumenta pressão sobre o mercado de energia

Antes da guerra, aproximadamente um quinto dos carregamentos mundiais de petróleo e gás natural liquefeito atravessava o Estreito de Ormuz. A restrição dessa passagem permite ao Irã pressionar exportadores do Golfo e interfere diretamente na oferta internacional de energia.

A guerra começou em 28 de fevereiro, quando Estados Unidos e Israel lançaram ataques com o objetivo declarado de interromper o programa nuclear iraniano, limitar a capacidade militar de Teerã contra países vizinhos e reduzir o apoio do governo iraniano a grupos armados da região.

Desde então, o conflito atravessa períodos de redução das hostilidades seguidos por novas ofensivas. No último fim de semana, ataques contra embarcações dentro e nas proximidades do Golfo elevaram novamente a tensão, antes da ofensiva houthi contra o território saudita.

A alta dos combustíveis também passou a representar um problema político para o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, às vésperas das eleições legislativas de novembro. Pesquisas citadas pela Reuters indicam que a guerra enfrenta resistência entre os eleitores norte-americanos.

Trump afirmou nas redes sociais que uma vitória contra Teerã provocará queda rápida dos preços.

“Os preços do petróleo cairão vertiginosamente, assim como tudo está caindo — mas ainda mais — quando VENCERMOS a guerra com o Irã. Três dólares por galão, mas, no fim, abaixo de dois dólares por galão. Tudo acontecerá rapidamente, e o Irã nunca terá uma arma nuclear”, escreveu.

As novas ameaças de Teerã, os ataques houthis à Arábia Saudita e a redução da navegação comercial deixam o mercado internacional exposto a novas oscilações, enquanto instalações energéticas, bases militares e corredores marítimos permanecem no centro da escalada regional.

Fonte: Brasil 247

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