Anadia/AL

4 de setembro de 2026

Anadia/AL, 4 de setembro de 2026

Caso David: ex-agente do atacante do Vasco chefiava tráfico, diz polícia

Investigadores apuram possível participação financeira do atleta nas atividades

ABN - Alagoas Brasil Noticias

Em 4 de setembro de 2026

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David na zona mista do Vasco. (Foto: Reprodução/VascoTV)

O “caso David” ganhou novos desdobramentos após a Polícia Civil do Espírito Santo detalhar como o atacante do Vasco entrou no radar da investigação. Segundo informações divulgadas pelas autoridades e pelo “g1”, conversas encontradas no celular de Édson Vander da Silva Júnior, ex-agente do jogador, levaram os investigadores a apurar uma possível participação financeira do atleta nas atividades do grupo.

O novo desdobramento da operação “A Tropa” revelou que Édson administrava a carreira e controlava a vida financeira de David enquanto, segundo a Polícia Civil, também exercia posição de liderança no tráfico de drogas em Serra Dourada III, na Serra, na Grande Vitória.

A investigação teve origem em uma tentativa de homicídio ocorrida em março de 2024. Após a prisão de Édson, em agosto daquele ano, a análise judicialmente autorizada de seu celular identificou três conversas com David consideradas relevantes pela Polícia Civil. Os diálogos envolvem comentários sobre a vítima do crime, uma fotografia de arma de fogo e um pedido de dinheiro para substituir o veículo utilizado na ação.

Segundo o delegado Rodrigo Sandi Mori, chefe da Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) da Serra, o conteúdo das conversas levou os investigadores a examinar uma possível participação financeira do jogador na estrutura criminosa. Até o momento, porém, a Polícia Civil não apresentou uma conclusão pública que atribua a DVD participação direta nos crimes investigados, e parte do material permanece sob sigilo.

– O investigado tinha como agente um traficante. Ele controlava a vida financeira, a carreira do investigado, e era um traficante também. Posso afirmar com absoluta certeza diante das provas que temos nos autos – afirmou Mori.

As mensagens que colocaram David no radar

A ligação entre David e a investigação surgiu a partir da prisão de Édson Vander, em 20 de agosto de 2024, em Vila Velha. Na mesma operação, Ruan de Freitas Camargo Cruz também foi preso. Segundo a Polícia Civil, os dois haviam assumido o controle do tráfico em Serra Dourada III após a morte do antigo chefe da região.

A investigação aponta que os suspeitos atuavam na compra de drogas, armas e munições, além da organização de tarefas e de movimentações financeiras. Com a apreensão do celular de Édson, a Polícia Civil obteve autorização judicial para analisar o conteúdo do aparelho e encontrou conversas diretas entre o ex-agente e o atacante do Vasco.


				Caso David: ex-agente do atacante do Vasco chefiava tráfico, diz polícia

David comemora gol da virada do Vasco contra o Olimpia. (Foto: DANIEL DUARTE / AFP)

Três diálogos chamaram especialmente a atenção dos investigadores. O primeiro ocorreu após uma tentativa de homicídio registrada em 15 de março de 2024, no bairro Novo Porto Canoa, na Serra.

Segundo a investigação, a vítima havia sido sequestrada em Serra Dourada III sob a suspeita de repassar informações sobre as atividades do tráfico para um grupo rival. O homem foi levado em um veículo e atingido por disparos, mas sobreviveu.

Após receber informações de Édson sobre o ataque e o estado de saúde da vítima, David teria respondido que ela “mereceu tomar uns tiros mesmo”, segundo o material apresentado pela Polícia Civil e divulgado pelo g1.

Em outro diálogo, Édson enviou ao jogador uma fotografia de uma pistola. De acordo com os investigadores, a resposta atribuída ao atacante foi: “Tem que matar um para ver de qual é”.

A terceira conversa envolve o veículo utilizado na tentativa de homicídio. Três dias depois do crime, um dos investigados enviou um áudio a Édson pedindo que ele intermediasse com David um pedido de dinheiro emprestado para substituir o carro, que estaria, nas palavras dos envolvidos, “queimado” por ter sido usado na ação.

Segundo o delegado Rodrigo Sandi Mori, foi o conjunto desses três diálogos que levou a Polícia Civil a investigar uma possível participação financeira de David na estrutura criminosa.

— Esses diálogos chamaram nossa atenção para um possível financiamento do tráfico de drogas no bairro pelo investigado — explicou o delegado.

Ex-agente controlava carreira e finanças, diz polícia

O conteúdo encontrado no celular também colocou a relação entre David e Édson no centro da investigação. Segundo a Polícia Civil, o então agente administrava a carreira e a vida financeira do jogador no período em que, paralelamente, era apontado como uma das lideranças do tráfico em Serra Dourada III.

A Polícia Civil afirma que Édson e outro investigado passaram a controlar as atividades criminosas na região após a morte do antigo chefe do grupo. A análise de seu celular, segundo as autoridades, encontrou conversas relacionadas à aquisição de drogas, armas, munições, valores e à divisão de funções.

Foi a partir do material extraído do aparelho que a investigação avançou para uma análise mais ampla. Os dados foram compartilhados com o Centro de Inteligência e Análise Telemática (CIAT), responsável pelo aprofundamento das investigações que resultaram na Operação A Tropa.

A ação, deflagrada na última segunda-feira, cumpriu mandados de busca e apreensão e prisões temporárias em quatro estados. David foi um dos alvos das buscas no Rio de Janeiro, em um desdobramento já noticiado pelo Lance!.


				Caso David: ex-agente do atacante do Vasco chefiava tráfico, diz polícia

David no CT do Vasco durante operação da Polícia Civil. (Foto: Reprodução)

Operação teve buscas na casa de David e no CT do Vasco

A residência do atacante, na Barra da Tijuca, foi alvo de busca durante a operação. Dois celulares de David foram apreendidos pelos policiais, e os aparelhos deverão ser analisados no andamento da investigação.

Depois da ação em sua casa, o jogador seguiu para o centro de treinamento do Vasco, em Jacarepaguá, onde policiais também cumpriram buscas. Nenhum material foi apreendido no local. A Polícia Civil ressaltou que o Vasco não é alvo da investigação e que o clube colaborou com as autoridades durante o cumprimento dos mandados.

Os investigadores agora buscam confrontar os dados já encontrados no celular de Édson com eventuais informações presentes nos aparelhos apreendidos com David. A Polícia Civil também apura o alcance das relações financeiras e pessoais mantidas pelo jogador com os investigados.

Segundo o g1, a investigação procura esclarecer se eventuais transferências de dinheiro e contatos mantidos por David tinham natureza exclusivamente pessoal ou alguma ligação com as atividades da organização investigada.

As investigações seguem sob sigilo. Até o momento, a Polícia Civil não apresentou publicamente uma conclusão que atribua ao atacante participação direta nos crimes apurados. O Vasco informou anteriormente ao Lance! que colabora com as autoridades e aguarda a conclusão das investigações.

Fonte: Gazeta Web

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