O ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes enviou ao ministro Alexandre de Moraes uma notícia-crime contra o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) e pediu que ele seja investigado no inquérito das fake news, segundo informou a colunista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo. O procedimento tramita sob sigilo.
De acordo com a reportagem, Moraes encaminhou a notícia-crime à Procuradoria-Geral da República, que ainda não havia se manifestado. A iniciativa de Gilmar ocorreu após Zema divulgar, no mês passado, um vídeo em suas redes sociais em que bonecos representando ministros do STF simulam um diálogo sobre uma decisão judicial e fazem referência ao resort Tayayá, que era de Dias Toffoli e foi comprado por um fundo ligado a Daniel Vorcaro.
No material citado por Gilmar Mendes, um boneco que imita Toffoli pede ao fantoche que representa Gilmar que suspenda a quebra de seus sigilos, determinada pela CPI do Crime Organizado. Na sequência, o boneco que encena Gilmar anula a decisão e diz: “só uma cortesia lá do teu resort que tá pago. Tô a fim de dar uma jogadinha essa semana”.
Na notícia-crime, Gilmar sustenta que Zema extrapolou os limites da crítica política e atacou diretamente a honra dos ministros e da própria instituição. O magistrado afirma que o ex-governador “vilipendia não apenas a honra e a imagem deste Supremo Tribunal Federal, como também da minha própria pessoa”.
Alcance nas redes
Ainda de acordo com a notícia-crime, Gilmar chama atenção para o alcance da publicação nas plataformas digitais de Zema. O ministro registra que o “referido vídeo” foi divulgado nas redes do então governador, “que conta com mais de 2,3 milhão de seguidores na plataforma Instagram e 570 mil na plataforma X, tendo sido republicado em diversos veículos de imprensa, atingindo, portanto, elevadíssimo número de visualizações”.
O episódio se insere em uma escalada de ataques de Zema a integrantes do Supremo. Nos últimos dias, o ex-governador intensificou o tom de suas declarações públicas contra os magistrados, sustentando que ministros da Corte não poderiam ser tratados como intocáveis.
Na semana passada, segundo a informação reproduzida pela coluna, Zema afirmou que Alexandre de Moraes e Dias Toffoli “não merecem só impeachment, eles merecem prisão”. A declaração ampliou a tensão política e jurídica em torno da atuação do ex-governador e de sua ofensiva verbal contra o STF.
O caso agora depende das providências a serem adotadas pela Procuradoria-Geral da República no âmbito do inquérito das fake news, um dos instrumentos utilizados para apurar campanhas de desinformação, ataques às instituições e possíveis tentativas de corrosão da legitimidade do Judiciário.
Proteção da suprema corte
A ofensiva de Gilmar contra Zema ocorre em um contexto de crescente preocupação com o uso de montagens e recursos de inteligência artificial para disseminar conteúdos falsos, manipular percepções públicas e atingir autoridades. Ao apontar o uso de deep fake no vídeo, o ministro reforça o entendimento de que não se trata apenas de crítica política, mas de uma ação que, na avaliação dele, compromete a integridade institucional do Supremo.
Com isso, o episódio ganha dimensão que ultrapassa o embate entre um ex-governador e ministros da Corte. O que está em jogo, segundo a argumentação apresentada por Gilmar Mendes, é a proteção da credibilidade do STF diante da circulação de conteúdos fabricados para desgastar a imagem do tribunal e alimentar ataques políticos com grande alcance nas redes sociais.


















