Estava claro, evidente que Flávio Bolsonaro invocaria fraude em qualquer hipótese de derrota. O pai já havia alegado em 2022.
É uma prática bolsonarista inspirada no ‘espírito democrático’ de Donald Trump. O norte-americano não admite resultado eleitoral que não lhe seja favorável.
Jair Bolsonaro, que também assimilou a postura de Trump em relação à pandemia de Covid, dizia abertamente, em 2022, que somente uma fraude o derrotaria no confronto com Lula.
Derrotado, lembrou-se do amigo e ícone Donald Trump e mobilizou seu staf para derrubar, com um golpe de estado, o novo governo de Lula. Deu no que deu.
Aliado fidelíssimo, guia espiritual e fã de Jair Messias, o pastor Silas Malafaia já tratou os Bolsonaros como “babacas”. Não incluiu o ex-capitão, obviamente, para evitar uma ruptura.
Bolsonaro pai não pensa, não raciocina, não reflete. Se usasse os neurônios, entenderia que se elegeu presidente da República, em 2018, graças à rejeição do eleitorado contra opções manjadas e desgastadas. Tal como aconteceu com Fernando Collor em 1989…
Vencido agora numa campanha em que Lula se agigantou no segundo turno, Flávio repetiu o pai fugindo para os Estados Unidos em busca de uma reação de Trump.
O americano até criticou a eleição brasileira, mas avisou de pronto: “Gosto do Lula e não vou me envolver”. E ainda anunciou que vai conversar com o brasileiro reeleito.
Mesmo com espírito golpista, Trump sabe que as eleições no Brasil são legítimas. Do contrário, como os Bolsonaros se elegeriam? Flávio senador. Eduardo deputado federal. Carlos senador. Jair Renan, quem diria, deputado federal. Michelle senadora. E o próprio Bolsonaro, sete vezes deputado federal e presidente do Brasil. E as fraudes? Qual deles teve a eleição surrupiada?
Lula também erra, fala demais, diz asneiras, é fato. Para superá-lo, porém, Flávio teria de errar menos, de apelar menos, dizer menos bobagens. Teria de ser convincente. E o que fez? Anunciou corte de R$ 250 bilhões do Orçamento, prometeu um ‘tesouraço’ nos gastos e ainda acenou para uso da IA no espaço dos servidores públicos. Reação inevitável dos eleitores alvo do rapa prometido…
Não bastasse, debochou de um defeito físico acidental do adversário durante um debate decisivo visto por milhões de brasileiros.
Pois bem, vencido no confronto do voto, o que fez o genial Flávio? Foi até o pai, conversou e a seguir mostrou que é Bolsonaro: se mandou para os Estados Unidos. Lá chegando, claro, postou uma carta denunciando ‘fraude’ na eleição, sem provas, e se auto-proclamando imperador, quer dizer, ‘verdadeiro presidente eleito’ do Brasil.
Diante da idiotice, duas reações: lá, o governo Trump ordenou que ele alterasse o texto retirando o tal ‘presidente eleito’.
Aqui, o leal escudeiro Silas Malafaia enxergou evolução na postura dos Bolsonaros Flávio e Eduardo (este já havia aconselhado o irmão a fugir para os EUA em caso de derrota). Dessa vez, disse o amigo pastor: “Os Bolsonaros são uns jumentos!”.
A propósito, por que será que Flávio não viu fraude no pedido que ele próprio fez ao TSE para estender o horário da eleição nos Estados do Sul – Paraná, Santa Catarina e Rio Grande?
# Redação C/ Blog do Romero


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