A decisão do ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, de não concorrer à presidência da República redesenha o tabuleiro político e pode encurtar o caminho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva rumo à vitória ainda no primeiro turno. As informações sobre os bastidores da desistência foram reveladas originalmente pela coluna da jornalista Mônica Bergamo, no jornal Folha de S.Paulo.
Os bastidores da desistência
Barbosa comunicou formalmente ao presidente do Democracia Cristã (DC) que está fora do páreo. O ex-ministro avaliou que não havia condições políticas e estruturais para sustentar uma campanha presidencial competitiva. Ele já havia condicionado sua participação a uma forte receptividade do eleitorado e a uma estrutura partidária robusta — o que incluiria alianças amplas, tempo de TV expressivo e recursos financeiros substanciais —, elementos que não se concretizaram.
Embora sondagens internas do DC apontassem algum potencial de crescimento, a pré-campanha de Barbosa não decolou. No levantamento Datafolha de junho, ele registrava apenas 1% das intenções de voto. Diante do prazo exíguo para as convenções partidárias (que ocorrem entre 20 de julho e 5 de agosto), o ex-magistrado preferiu anunciar que não disputará o pleito.
Crise e racha no Democracia Cristã
A movimentação de Joaquim Barbosa — que se filiou à legenda em abril — acabou detonando uma severa crise interna no Democracia Cristã. A possibilidade de sua candidatura gerou atritos profundos na cúpula do partido, culminando na expulsão do ex-deputado Aldo Rebelo, que insistia na viabilidade do nome de Barbosa. Rebelo conseguiu ser reintegrado à legenda por meio de uma liminar jurídica.
Classificando a desistência de Barbosa como uma “afronta”, Aldo Rebelo se manteve na disputa interna, tentando segurar as rédeas do partido e buscar alternativas para a legenda.
O impacto no cenário geral: O recuo de Joaquim Barbosa expõe a enorme dificuldade que os partidos de centro e os chamados nomes de “terceira via” enfrentam para consolidar candidaturas competitivas e estruturadas. Em um cenário altamente polarizado, a fragmentação perde força, jogando a favor da estratégia de Lula de tentar liquidar a eleição presidencial de 2026 sem a necessidade de um segundo turno.
Fonte: Brasil 247

















