
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva antecipou nesta quarta-feira (16), durante um comício em Ceilândia, no Distrito Federal, qual deverá ser um dos eixos políticos de sua participação na Assembleia-Geral das Nações Unidas: a defesa da soberania brasileira e a rejeição a interferências externas nas eleições de outubro. O recado tem um destinatário explícito: o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. As informações são do Correio Braziliense.
“Domingo às 10 horas pego avião e vou para a reunião da ONU bater bate-papo com Trump e dizer para o Trump que não se meta nas eleições no Brasil. O Brasil só tem um dono e o dono do Brasil se chama povo brasileiro”, afirmou.
A declaração feita em Ceilândia antecipa o tom que Lula pretende levar ao principal palco diplomático mundial. Segundo informações divulgadas sobre a preparação da viagem, a defesa do multilateralismo e do princípio da não interferência estrangeira deverá ocupar espaço importante no pronunciamento brasileiro na ONU.
● Soberania no centro do discurso
O posicionamento de Lula ocorre em um momento de tensão política e diplomática entre Brasília e Washington e a menos de três semanas das eleições brasileiras.
Ao mencionar Trump, Lula vinculou diretamente a soberania nacional à capacidade dos brasileiros de decidirem o futuro político do país sem pressões externas.
O presidente já havia feito declaração semelhante horas antes, durante encontro com lideranças evangélicas, quando afirmou ter advertido Trump contra qualquer tentativa de interferência no processo eleitoral brasileiro.
A Assembleia-Geral da ONU será realizada na próxima terça-feira (22). Como ocorre tradicionalmente, o Brasil fará o primeiro discurso do debate geral, seguido pelos Estados Unidos. Segundo a CNN Brasil, diplomatas afirmaram que não havia, até esta quarta-feira, pedido de reunião bilateral formal entre Lula e Trump à margem da Assembleia.
● Lula critica Eduardo Bolsonaro
No comício, Lula também voltou suas críticas ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro, a quem acusou de atuar nos Estados Unidos em favor de medidas contra o Brasil.
“O Eduardo Bolsonaro, traidor da Pátria, está lá pedindo para o Trump fazer sanção contra o Brasil”, declarou Lula, segundo o Correio Braziliense. Na sequência, o presidente atacou o que considera uma postura de subordinação política aos Estados Unidos.
As declarações fazem parte da disputa eleitoral em curso. Lula associa seus adversários políticos a tentativas de obter apoio externo contra seu governo, enquanto integrantes da oposição contestam as acusações do presidente.
● Viagem à ONU em meio à campanha
Antes de embarcar para Nova York, Lula terá uma intensa agenda doméstica. No discurso em Ceilândia, afirmou que passará por Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo e Santa Catarina antes de retornar a Brasília e viajar aos Estados Unidos no domingo.
A participação na Assembleia-Geral ocorrerá em plena reta final da campanha presidencial. Lula chegou a mencionar que esta poderá ser sua última participação no encontro da ONU caso não seja reeleito.
Além da soberania e da não interferência, a preparação diplomática brasileira prevê que Lula trate do multilateralismo, do direito internacional, das negociações de paz e do combate à fome e à pobreza. Também deverá abordar o combate ao crime organizado, depois de novas críticas feitas pelo governo norte-americano ao Brasil.
● Comício reúne 15 mil em Ceilândia
Segundo o Palácio do Planalto, cerca de 15 mil pessoas participaram do ato em Ceilândia. Lula esteve ao lado do candidato ao governo do Distrito Federal Leandro Grass, da senadora Leila Barros e da deputada Erika Kokay, candidatas ao Senado, além da primeira-dama Janja da Silva e do cantor Kleber Lucas.
Foi diante desse público que Lula transformou uma fala de campanha em uma prévia de sua mensagem internacional.
Ao declarar que “o Brasil só tem um dono” e que esse dono é o povo brasileiro, Lula sinalizou que pretende levar a Nova York uma mensagem centrada na soberania nacional — e que Donald Trump estará diretamente no centro desse discurso.
Redação com Brasil 247


















