Anadia/AL

5 de novembro de 2026

Anadia/AL, 5 de novembro de 2026

Marchas ocorrem em toda a França e reúnem milhares; maioria foi pacífica

Atos contra o custo de vida mobilizaram até 1,6 milhão de pessoas e fecharam pontos turísticos como a Torre Eiffel

ABN - Alagoas Brasil Noticias

Em 5 de novembro de 2026

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Foto: Reprodução/Redes Sociais

Manifestações em toda a França aconteceram de forma majoritariamente pacífica nesta quinta-feira (5), apesar de alguns confrontos com a polícia em Paris e Lyon, durante greve de um dia organizada por parte dos trabalhadores do setor público, em um novo desafio ao presidente Emmanuel Macron.

Vários políticos de destaque participaram dos protestos, entre eles os candidatos à Presidência Jean-Luc Mélechon e Raphaël Glucksmann.

Os atos acontecem após manifestações que tiveram foco no custo de vida, serviços públicos e educação, que provocaram a pior onda de distúrbios civis na França em anos.

Isso ocorre cinco meses antes de uma eleição presidencial que não contará com Macron, que não poderá se candidatar, mas que pressiona o primeiro-ministro Sébastien Lecornu antes de sua reunião com entidades de trabalhadores e patrões, em 9 de novembro, sobre custo de vida e salários.

A eleição pode opor a candidata da ultradireita Marine Le Pen e o de esquerda Mélechon.

O Ministro do Interior da França, Laurent Nuñez, informou que 600 mil pessoas participaram dos protestos pelo país, enquanto o sindicato CGT (Confederação Geral do Trabalho), um dos mais tradicionais centros sindicais do país e um dos organizadores, falou em 1,6 milhão de participantes.

Na capital francesa, o clima era festivo no início da manifestação, com um grupo de diversos participantes cantando “A Marselhesa”, hino do país.

A greve de um dia, à qual aderiram parte dos trabalhadores do setor de energia e professores, fechou a Torre Eiffel, mas não teve grandes transtornos no transporte.

Entretanto, cerca de duas horas após o início, parte das pessoas à frente da marcha entrou em confronto com a polícia, que disparou gás lacrimogêneo.

A polícia de Paris afirmou que o uso do gás foi parte da reação imediata dos agentes que viram alguns indivíduos encapuzados que cometeram atos de vandalismo.

Também houve confrontos entre alguns manifestantes e policiais no fim do protesto, e as autoridades tiveram de apagar ao menos um pequeno incêndio às margens do ato.

O primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, fará uma reunião com entidades de trabalhadores e de empregadores em 9 de novembro sobre custo de vida e salários.

Trabalhadores e estudantes se unem para pressionar por mudanças

Em Lyon, a tropa de choque disparou gás lacrimogêneo e avançou sobre um grupo de manifestantes, alguns dos quais gritavam palavras de ordem contra a polícia e estavam vestidos inteiramente de preto, com o rosto coberto.

O Ministério do Interior disse que os policiais na cidade foram confrontados por várias centenas de manifestantes e que a violência foi contida, embora a tensão continuasse alta.

“Há muita preocupação com o futuro, sobretudo com as questões dos salários e dos serviços públicos”, disse Alice Martinovic, estudante de 18 anos que participava da manifestação em Paris.

“Espero que, nas próximas eleições, os candidatos realmente pensem neste movimento e incluam as opiniões dos jovens, dos estudantes, a quem agora se juntam muitos outros trabalhadores.”

Escola pega fogo após lançamento de fogos de artifício

O Ministério do Interior disse que pessoas que lançavam fogos de artifício provocaram um incêndio em uma escola de ensino médio perto de Toulouse, no sudoeste do país, na manhã de quinta-feira, o que obrigou alunos e funcionários a deixar o prédio enquanto os bombeiros apagavam as chamas.

“Esse comportamento criminoso é um escândalo absoluto”, disse o ministro da Educação, Édouard Geffray, no X.

Mais cedo, na manhã de quinta-feira, estudantes secundaristas franceses e outros manifestantes enfrentaram a tropa de choque em Paris ao bloquear uma rua com lixeiras.

As manifestações em Lyon e em outras cidades, entre elas Marselha e Nantes, começaram pela manhã, enquanto a principal marcha de Paris partiu à tarde da Place de la République.

Os distúrbios de 17 de outubro pegaram as forças de segurança de surpresa, deixaram lojas e prédios públicos danificados em todo o país e alimentaram as críticas à condução da crise por Macron.

Desde então, as autoridades francesas decretaram toques de recolher e proibições de grandes aglomerações, além de exigir que os grupos adotassem trajetos alternativos para as manifestações, longe dos principais bulevares, medidas criticadas pelos sindicatos.

“O governo tentou bloquear as manifestações. As manifestações estão maiores do que nunca”, disse à jornalista Sophie Binet, líder do sindicato CGT.

“Secundaristas, aposentados, estudantes, trabalhadores, todos juntos. A união vence”, dizia uma faixa no protesto em Lyon.

Polícia mobiliza grande efetivo

“Nossos salários não acompanharam a inflação”, disse Mehdi Dumontroty, bombeiro de 45 anos que participava do protesto em Paris.

“O que aconteceu neste verão prova que tínhamos razão quando dissemos que precisávamos de mais recursos para lidar com a crise que enfrentamos”, afirmou, em referência aos incêndios florestais agravados neste ano por ondas de calor intensas.

Cerca de 70 mil policiais estavam em serviço em todo o país, número comparável ao dos fins de semana recentes. O governo francês defendeu as táticas policiais e afirmou que eventuais abusos serão investigados.

A greve contribuiu para a redução da geração nuclear da França nas primeiras horas de quinta-feira, e o Ministério da Educação informou que pouco mais de 15% dos professores franceses aderiram à paralisação.

Fonte: Gazeta Web

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