Flávio Bolsonaro já gabaritou todos os tipos de suspeitas, escândalos e investigações, em todas as áreas. São fatos graves que poderiam pulverizar, em tempos de normalidade, sua candidatura e a estrutura que a sustenta.
Com esse histórico, sem que sua campanha sofra grandes danos até aqui, o que poderia ser acrescentado ao que se sabe sobre seu passado de rachadinhas, mansões, dinheiro vivo, milicianos, lavagem de dinheiro com chocolate, dinheiro do Vorcaro e outros rolos? O que ainda poderia comprometê-lo e afastar eleitores? Que fato novo pode abalar o que resta da reputação de Flávio Bolsonaro?
Talvez uma cabeça de cavalo encontrada na cama de alguém. Como aquela cabeça do cavalo premiado que Don Corleone mandou colocar junto aos pés do produtor de cinema Jack Woltz, na cena mais apavorante de O Poderoso Chefão (foto).
Uma cabeça que signifique, como está na história de Mario Puzo e no filme de Coppola, o recado definitivo sobre o que acontece com quem desafia a fúria de uma família poderosa, violenta e sem escrúpulos. É o que pode estar faltando. Uma cena chocante fora do roteiro previsível.

O núcleo e o entorno da extrema direita brasileira já tiveram mortes suspeitas ou violentas e continuam a ter embates internos com alto grau de virulência. Já aconteceu todo tipo de crueldade ao redor dos Bolsonaros. Mas falta a cabeça do cavalo ensanguentada aos pés da cama de alguém.
Em O Poderoso Chefão, é a cabeça do cavalo que eleva o nível das crueldades. Não é a morte de inimigos. A morte de gente é banalizada pelas máfias e deixa de incomodar. A degola do cavalo de corridas Khartoum, o preferido de Jack Woltz, é o horror inimaginável pelo desafeto sabedor de que o mafioso é capaz de todo tipo de violência. Mas não com seu cavalo.
No caso brasileiro, a cabeça do cavalo apareceria aos pés da cama de alguém que deva ser assustado. É só o que pode gerar revolta e se transformar em notícia com algum impacto. Porque o resto não muda nada. Nem se Vorcaro disser em eventual delação que já ameaçaram quebrar seus dedos se não fizesse doações à indústria do cinema dos Bolsonaros.
Na história de O Poderoso Chefão, também há interesses em jogo na área cinematográfica. Jack Woltz é um famoso produtor de Hollywood que se nega a dar um papel ao afilhado querido de Don Corleone. O chefão manda cortarem a cabeça do animal que vale milhões. Woltz acorda com a cabeça aos seus pés.
Para que desse certo aqui, com fidelidade ao roteiro original que Coppola transformou em obra-prima, primeiro é preciso saber quem tem cavalos. O resto os mafiosos e a extrema direita sabem fazer. Pode ser com a cabeça de um porco, mas só na falta de uma cabeça de cavalo.
Redação com DCM

















