● Bruno Soriano / Ascom Imprensa Oficial
O que aconteceu com as terras de Palmares após a queda do quilombo? A pergunta conduz a pesquisa de Genisete Sarmento em A Ocupação das Terras do Quilombo dos Palmares e a Criação de Vilas. Destaque da Imprensa Oficial Graciliano Ramos neste mês da Consciência Negra, a obra reconstitui a história de um território marcado pela resistência à escravidão e ajuda a entender como se formou União dos Palmares, município da Zona da Mata alagoana.
A investigação – que durou três anos – abrange o período entre a ofensiva liderada pelo bandeirante Domingos Jorge Velho, em 1694, e a elevação da Vila da Imperatriz à categoria de cidade, em 1889. A obra também examina acontecimentos políticos e sociais registrados nesse período, a exemplo da Revolução Pernambucana e o contexto da tentativa, frustrada, de rompimento com a monarquia portuguesa.
Ao longo de quase 300 páginas, a autora não só explica a evolução administrativa local, mas também reflete sobre a herança escravocrata e o distanciamento da população de suas raízes, incentivando novos estudos sobre a história de União dos Palmares. Segundo Genisete, a obra tem origem, sobretudo, no desejo de compreender o repovoamento da região antes ocupada pelos quilombolas.
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“Algumas pessoas costumam resumir o Quilombo dos Palmares à Serra da Barriga. Mas o movimento liderado por Zumbi durou mais de um século, ocupando um vasto território no interior da então capitania de Pernambuco. Ou seja, o negro retornou como escravo às cidades que foram erguidas sob os escombros de Palmares”, destaca a escritora, acrescentando que a pesquisa também reúne arquivos coletados no acervo da Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro.
Para a pesquisadora, o livro explora detalhes nem sempre lembrados pelos historiadores. “Procurei abordar um pouco mais o cerco final e o que as tropas coloniais encontraram na fortificação de Zumbi, bem como o fato de o mocambo não ter sido incendiado, como dizem certos autores. Domingos Jorge Velho, inclusive, chegou a residir na Vila Nova do Palmar [atual cidade de Atalaia], onde faleceu em 1704”, afirma Genisete.
Por fim, a pesquisadora ressalta o apoio da Imprensa Oficial à produção literária alagoana, ratificando a importância de iniciativas como a da Coleção Palmar. “A Imprensa Oficial não só revela autores, mas também resgata obras icônicas para quem pesquisa, já que tínhamos raros exemplares espalhados em algumas poucas bibliotecas. Pesquisar demanda muito tempo e recurso financeiro, de modo que essa política de incentivo é fundamental. Precisamos de mais pessoas tendo a condição de produzir e publicar seus trabalhos”, avalia.
● Coleção Palmar
O livro de Genisete Sarmento integra a Coleção Palmar, iniciativa da Imprensa Oficial Graciliano Ramos, em parceria com a Universidade Estadual de Alagoas (Uneal) e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Alagoas (Fapeal). Lançada na 11ª Bienal Internacional do Livro de Alagoas, em 2025, a coleção reúne estudos sobre a presença negra na formação histórica, social, política e cultural de Alagoas e do Brasil.
Outras três obras completam a coleção: Negócios da Escravidão em Alagoas, de Luana Teixeira, que aborda o comércio interprovincial de pessoas escravizadas em Maceió e Penedo; O Negro na Civilização Brasileira, de Arthur Ramos; e Coleção Perseverança, de Maicon Marcante, antropólogo que retrata o processo de reconhecimento de acervo afro-alagoano como patrimônio cultural, destacando o impacto de episódios como a Quebra de Xangô.
Todos os títulos da Coleção Palmar seguem disponíveis no site www.livrariagracilianoramos.com.br. Os exemplares também estarão à venda, no próximo dia 20 de novembro, na Serra da Barriga – gráfica e editora do Governo de Alagoas, a Imprensa Oficial, já confirmou presença no evento alusivo ao Dia da Consciência Negra, em União dos Palmares.
# Redação com Agência Alagoas



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