A Polícia Federal levantou, em relatórios de inteligência, a hipótese de que o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), poderia buscar uma mudança na correlação de forças dentro da Corte para favorecer uma anistia a envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023 e na tentativa de golpe de Estado.
● PF fala em possível recomposição de forças no Supremo
Em um dos relatórios, analistas da PF mencionam uma possível “estratégia de recomposição de forças no Tribunal”. A hipótese descrita no documento é a de que movimentos atribuídos a Mendonça pudessem ampliar sua influência no STF e alterar o equilíbrio entre diferentes grupos de ministros.
O relatório associa essa leitura, entre outros pontos, ao apoio de Mendonça à indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao Supremo, além de movimentos envolvendo o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).
● Documento aponta baixo grau de confiança
Apesar da gravidade da hipótese, a própria Polícia Federal atribui baixo grau de confiança à conclusão. De acordo com a corporação, os relatórios citados por Moraes são “documentos de trabalho” e “sem valor probatório”.
Ainda segundo a PF, esse tipo de material reúne análises de cenário, com diferentes graus de confiança, e não apresenta conclusões criminais definitivas. A ressalva é central para delimitar o alcance dos documentos: trata-se de uma avaliação de inteligência, não de uma acusação formal comprovada.
● Moraes vê “fortes indícios” contra Mendonça
Moraes, por sua vez, utilizou o conjunto dos relatórios para sustentar que há “fortes indícios” de irregularidades praticadas por Mendonça na condução de duas frentes de investigação: a Operação Sem Desconto, que apura fraudes no INSS, e a Operação Compliance Zero, relacionada ao Banco Master.
● Crise se aprofunda no STF
O episódio amplia a crise instalada no Supremo após Mendonça retirar o sigilo de um relatório da PF que revelou mensagens e registros de contatos entre Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
A tensão ocorre em meio a uma disputa institucional que envolve investigações sensíveis, questionamentos sobre a atuação de ministros e o tratamento dado a relatórios internos da Polícia Federal.
Até 12 de agosto de 2025, o STF havia responsabilizado 1.190 pessoas pelos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023, entre elas o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que indicou André Mendonça ao Supremo.
Redação C/ Brasil 247

















