Anadia/AL

27 de abril de 2026

Anadia/AL, 27 de abril de 2026

São Paulo: Juliano Cazarré anuncia evento “O Farol e a Forja” para homens

''Voltado para temas como liderança, empreendedorismo e espiritualidade, o encontro rapidamente tomou conta das redes sociais de São Paulo e passou a ser centro de debates envolvendo celebridades, religiosos e o público em geral, em uma discussão sobre masculino na contemporaneidade.''

ABN - Alagoas Brasil Noticias

Em 27 de abril de 2026

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Foto: Montagem Revista Oeste / Reprodução/ Redes Sociais

Por: Maria Bahia

O ator Juliano Cazarré anunciou nesta sexta-feira (21) o lançamento de um evento batizado de “O Farol e a Forja”, divulgado como “o maior encontro de homens do Brasil”, previsto para ocorrer entre os dias 24 e 26 de julho, na capital paulista. Voltado para temas como liderança, empreendedorismo e espiritualidade, o encontro rapidamente tomou conta das redes sociais de São Paulo e passou a ser centro de debates envolvendo celebridades, religiosos e o público em geral, em uma discussão sobre masculino na contemporaneidade.

Na publicação oficial, feita no perfil do próprio Cazarré — conhecido nacionalmente por trabalhos recentes em novelas da Globo —, ele se posiciona como protagonista de uma nova proposta para o papel do homem, citando sua conversão ao catolicismo e o desejo de “resgatar uma essência masculina considerada em crise na sociedade”. A discussão sobre o evento não ficou restrita às redes: especialistas em comportamento social e representantes de coletivos masculinos paulistanos passaram a debater a iniciativa e seus possíveis efeitos na vida social da cidade.

Por que o evento de Juliano Cazarré em São Paulo gerou tanta polêmica?Após o anúncio, figuras conhecidas do entretenimento de São Paulo (SP) como Marjorie Estiano, Elisa Lucinda e Paulo Betti fizeram críticas públicas ao conteúdo e à motivação do evento. No post original, Marjorie Estiano ressaltou que discursos em torno do “resgate” da masculinidade podem reforçar condutas já muito difundidas, questionando “o perigo de se reproduzir ensinamentos que, historicamente, promovem desigualdades”. Elisa Lucinda, por sua vez, classificou a inciativa como um “grande e preocupante delírio”, chamando atenção para possíveis atrasos em discussões consideradas essenciais por parte da sociedade paulista e do país.

Além das críticas, cerca de 5 mil comentários foram postados nas primeiras 12 horas após a divulgação, incluindo manifestações a favor e contra a proposta. Alguns usuários de coletivos masculinos da capital paulista afirmaram enxergar na iniciativa uma tentativa de fomentar debates necessários para o autoconhecimento do homem contemporâneo. Entre grupos de ativismo feminista, houve manifestações de preocupação quanto ao risco de discursos excludentes e reprodução de estigmas, sentimentos já vividos por parte da população jovem no Estado. Moradores da capital se dividiram nas opiniões, apontando para uma polarização constante em torno de temas identitários em São Paulo.

Qual a ligação de Juliano Cazarré com São Paulo e com movimentos conservadores?

Juliano Cazarré, natural do Rio Grande do Sul, mas frequentemente presente em produções gravadas na capital paulista, consolidou sua imagem entre o público de São Paulo nos últimos anos. Após experiências de atuação marcantes, como na novela “Pantanal”, Cazarré passou a manifestar de forma aberta seu catolicismo tradicionalista, postura percebida por especialistas como alinhada ao crescimento de movimentos conservadores em regiões metropolitanas do Sudeste, especialmente durante e após a pandemia de Covid-19.

Segundo análise de pesquisadores do Observatório das Redes da USP, discursos similares aos propostos no evento já foram percebidos em fóruns masculinos da internet e encontros realizados na região de Pinheiros e Vila Madalena, bairros de destaque para a formação de tendências culturais em São Paulo. O ator pauta sua defesa em uma intenção de promover debates saudáveis sobre o papel do homem nos tempos atuais, embora, conforme análise do DE, essa abordagem gere questionamentos sobre o potencial efeito de fortalecimento de extremos e da intolerância.

Quais temas serão abordados no evento de Cazarré em São Paulo?

O evento “O Farol e a Forja” propõe uma programação de três dias, sempre com eixos temáticos definidos. No primeiro, a pauta central será “vida profissional e legado”, com palestrantes ainda não totalmente confirmados, segundo a organização. O segundo dia será dedicado a temas de “família, paternidade, alimentação e cultura”, e pretende trazer experiências reais de convidados que atuam em áreas de desenvolvimento pessoal e educação tradicional. Já na fase final, o foco se desloca para “vida espiritual e batalha espiritual”, incluindo missas, momentos de oração e partilhas sobre fé — práticas associadas ao crescimento de movimentos de religiosidade masculina no Estado.

Moradores de bairros como Campinas, Guarulhos, Osasco e cidades próximas à capital já demonstraram interesse em participar do encontro, conforme os primeiros rastreios de ingressos promovidos online. A organização do evento prevê público superior a 4 mil homens de várias faixas etárias, com entradas a partir de R$ 250 por dia, valor que será revertido na estrutura, segurança e convênios para mobilidade urbana nos arredores do local, ainda não divulgado oficialmente. Casos semelhantes de eventos com foco em masculinidade já foram realizados anteriormente na região, mas em formatos menores e com repercussão mais restrita.

Como a repercussão nas redes de São Paulo impactou o evento?

A partir do instante em que celebridades e influenciadores de São Paulo se posicionaram, a discussão gerou aumento expressivo de engajamento. Só na manhã deste sábado, o nome “Juliano Cazarré” esteve entre os 10 termos mais buscados no Twitter Brasil, de acordo com o DE. O próprio perfil do ator nas mídias sociais cresceu em cerca de 20 mil seguidores em menos de 24 horas, sinalizando uma curiosidade emergente em torno do evento. Entre os apoiadores, destacam-se personalidades religiosas e pensadores conservadores nacionais, enquanto críticos reforçam a necessidade de maior reflexão nas propostas inclusivas para discussões de gênero.

Artigos publicados em sites especializados da cidade relacionam a repercussão do anúncio ao contexto de polarização crescente nos debates públicos de São Paulo. Para sociólogos da região, a proposta dialoga com um cenário já aquecido por discussões recentes sobre masculinidade tóxica, espaço do machismo estrutural e reação de segmentos tradicionalistas a movimentos progressistas. O intenso debate já motivou, inclusive, questionamentos junto a órgãos municipais sobre regulamentações para encontros de grande porte e sobre possíveis consequências legais para grupos que incentivem a intolerância em ambientes fechados da cidade.

Quais foram as principais críticas feitas por outros artistas de São Paulo?

As reações mais contundentes contra a iniciativa vieram diretamente dos colegas de profissão de Juliano Cazarré. Marjorie Estiano apontou, em comentário público, que eventos dessa natureza podem reforçar discursos e atitudes responsáveis pelo agravamento da violência de gênero — uma preocupação recorrente para entidades de defesa das mulheres em São Paulo. Ela reiterou: “o discurso mata mulheres todos os dias”.

A atriz Elisa Lucinda reforçou que considera a empreitada um “atraso” frente aos avanços conquistados na capital nos últimos anos, destacando a necessidade de maior responsabilidade de líderes de opinião no trato de temas sensíveis. O ator Paulo Betti ironizou que Cazarré teria criado ao redor de si mesmo uma “aura de entidade”, referindo-se à publicação em que o ator fala de si na terceira pessoa. O caso levou parte do movimento artístico paulista a se posicionar em defesa da diversidade e do respeito à pluralidade de ideias, pontos essenciais para o convívio democrático nos espaços culturais urbanos.

Existe histórico de eventos similares em São Paulo?

Embora “O Farol e a Forja” esteja sendo apresentado como evento inédito e de grande porte no segmento, a cidade de São Paulo  já sediou encontros masculinos ligados a temas de empreendedorismo e autoconhecimento no passado. Entretanto, nunca antes a proposta foi tão abertamente centrada na ideia de resgate da “masculinidade tradicional”, segundo dados publicados pelo Observatório Sociocultural Paulistano. Os eventos anteriores costumavam atrair públicos menores, com ênfase em saúde mental e desenvolvimento pessoal, buscando não conflitar diretamente com pautas de inclusão de gênero, marca que diferencia o caso atual.

Diversos coletivos paulistas, como o “Homens em Reflexão”, já sinalizaram preocupação sobre riscos de radicalização, destacando que reuniões desse tipo devem priorizar diálogo e cuidado com mensagens transmitidas aos participantes. Segundo levantamento da reportagem, as autoridades locais não registraram incidentes em encontros semelhantes realizados nos anos de 2019 e 2022, apesar de denúncias pontuais quanto a conteúdo discriminatório envolvendo pequenos grupos recrutados por redes sociais.

O que dizem ativistas e entidades de direitos humanos em São Paulo?

Representantes de ONGs e coletivos ligados aos direitos humanos se manifestaram desde a noite de sexta, destacando que qualquer libertação do espaço de debate é válida, contanto que os parâmetros da legislação de combate à intolerância e à violência sejam garantidos. “Não podemos tolerar discursos de ódio sob o véu de liberdade religiosa ou expressão de gênero”, registrou nota do Grupo Direitos Para Todos — entidade que atua há quase 20 anos em São Paulo com ações afirmativas em bairros periféricos como Grajaú, Capão Redondo e Brasilândia.

O entendimento de parte do Ministério Público paulista é que eventos dessa natureza requerem fiscalização de conteúdo, especialmente quando se propõem a abordar temas sensíveis como combate ao “enfraquecimento do homem” e “restauração de valores tradicionais”. Segundo dados do DE, desde 2021 pelo menos 15 esclarecimentos foram solicitados por entidades civis ao MP sobre atividades similares envolvendo influenciadores de relevância nacional.

Como a cidade de São Paulo costuma reagir a eventos polêmicos como esse?

São Paulo é conhecida pela sua diversidade e efervescência cultural, abrigando tanto eventos progressistas quanto conservadores. Entretanto, a enorme repercussão do “Farol e a Forja” evidencia um cenário de fissura social, onde manifestações públicas costumam ter eco nacional. Historicamente, o município já presenciou protestos em eventos de matriz religiosa, artísticas e até gastronômicas que, por vezes, deram início a movimentos maiores no Brasil.

Especialistas em segurança pública e analistas políticos acreditam que eventos polarizadores, como o proposto por Juliano Cazarré, tendem a suscitar manifestações contrárias e cobranças por esclarecimentos, forçando a mediação entre as garantias legais da livre organização e o respeito às normas previstas no código civil e estatutário do município de São Paulo. O tema pode ganhar novo fôlego conforme nos aproximamos das eleições municipais, quando debates sobre família, gênero e religião ganham maior repercussão no estado.

Procurado pela reportagem, Cazarré não respondeu se outros famosos da capital paulista devem integrar as mesas de discussão ou se haverá espaço para vozes divergentes durante os três dias de evento. A organização do “Farol e a Forja” informa que detalhes finais sobre local, regras de ingresso e grade de palestrantes devem ser divulgados até o encerramento do mês de junho.

*Redação com Diário do Estado GO 

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