Anadia/AL

29 de agosto de 2026

Anadia/AL, 29 de agosto de 2026

Corinthians cobra respostas da SAFiel antes de avançar com projeto

''O material é assinado por Osmar Stabile, presidente da Diretoria, Romeu Tuma Júnior, presidente do Conselho Deliberativo, e Miguel Marques e Silva, presidente do Cori (Conselho de Orientação)''

ABN - Alagoas Brasil Noticias

Em 29 de agosto de 2026

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Divulgação/SAFiel

Por: Fábio Lázaro

O Corinthians condicionou o avanço da análise do projeto da SAFiel a esclarecimentos sobre a viabilidade financeira da proposta, sobre a utilização de informações internas do clube e aos efeitos jurídicos do documento.

O UOL teve acesso aos questionamentos da cúpula corintiana que foram encaminhados aos líderes do projeto.
O que diz o questionário

O material é assinado por Osmar Stabile, presidente da Diretoria, Romeu Tuma Júnior, presidente do Conselho Deliberativo, e Miguel Marques e Silva, presidente do Cori (Conselho de Orientação). O texto afirma que a avaliação da proposta ficará prejudicada enquanto os esclarecimentos não forem apresentados de forma satisfatória.

O documento foi apresentado na reunião realizada na última quarta-feira (26), no Parque São Jorge. O encontro durou cerca de quatro horas, teve momentos de tensão e terminou com o compromisso de que os questionamentos do Corinthians seriam respondidos antes de um possível avanço para a assinatura de um memorando de Intenções, conforme o UOL revelou na quinta-feira (27).

A manifestação não representa aceitação nem recusa ao projeto, segundo o próprio Corinthians. Os dirigentes afirmam que os questionamentos fazem parte da análise necessária antes de qualquer decisão sobre a eventual transformação do departamento de futebol em Sociedade Anônima do Futebol.

Clube questiona projeção de captação

O Corinthians pediu explicações sobre a metodologia utilizada pela SAFiel para projetar a adesão de aproximadamente 5% dos torcedores considerados economicamente ativos. O projeto apresentado pelo movimento prevê a captação de R$ 2,5 bilhões, com possibilidade de alcançar R$ 3 bilhões caso a demanda seja superior à estimada.

O clube quer saber como foram compatibilizados dados de diferentes instituições, como Datafolha, Ipsos/Ipec, IBGE, Serasa, Anbima, B3 e Instituto Locomotiva. A cúpula corintiana também pergunta se houve tratamento técnico para retirar possíveis distorções provocadas pela utilização de universos distintos.

A SAFiel deverá apontar ainda operações nacionais ou internacionais de capitalização pulverizada no futebol que tenham alcançado uma taxa de conversão semelhante aos 5% projetados. O Corinthians solicita fontes verificáveis que permitam comparar a expectativa do projeto com experiências anteriores.

O documento também questiona se a estimativa levou em consideração a capacidade financeira dos torcedores. O clube cita fatores como endividamento familiar, inadimplência, restrição de crédito e liquidez disponível, além de pedir a apresentação dos cenários conservador, intermediário e pessimista utilizados na elaboração do projeto.

Por fim, o Corinthians cobra informações sobre a possibilidade de auditoria dos dados apresentados no chamado “Book SAFiel 2.0”. A intenção é verificar as premissas macroeconômicas, a curva de adesão projetada e a viabilidade do modelo de captação.

Compliance cita sócio da Invasão Fiel

O Compliance da Diretoria do Corinthians apresentou quatro pontos relacionados à Invasão Fiel S/A, empresa responsável pela proposta. O primeiro envolve o capital social de R$ 3 mil da companhia, valor que o clube pede que seja explicado diante da dimensão financeira da operação projetada.

O segundo questionamento diz respeito à constituição da empresa, em 18 de julho de 2025, sob a atividade principal de holding de instituições não financeiras. O Corinthians solicita detalhes sobre a estrutura societária, a criação recente da companhia e o histórico dos sócios em operações semelhantes.

O clube também cobra explicações sobre a participação de Maurício Chamati, sócio da Invasão Fiel S/A, no Comitê Independente de Finanças durante a gestão do ex-presidente Augusto Melo. Chamati assinou, em setembro de 2024, um termo de confidencialidade que prevê dever adicional de sigilo por cinco anos após o recebimento de cada informação protegida.

O Corinthians pede que o grupo esclareça se informações acessadas por Chamati durante sua passagem pelo comitê foram utilizadas na elaboração da proposta. A SAFiel também deverá discriminar os documentos, dados e fontes usados no projeto para permitir a verificação do cumprimento do acordo de confidencialidade.

O termo citado no documento prevê multa compensatória de R$ 500 mil em caso de divulgação indevida de informações confidenciais. A aplicação da penalidade, de acordo com o próprio instrumento, dependeria da comprovação judicial de eventual violação.

O Compliance também menciona três pontos de diligência relacionados a Chamati e solicita uma manifestação do grupo. O documento cita a participação societária no Mercado Bitcoin, um procedimento investigatório por estelionato associado ao nome do empresário e um suposto envolvimento no financiamento da campanha de Augusto Melo à presidência do Corinthians.

O clube ressalta que os apontamentos não representam conclusão sobre responsabilidade, ilicitude ou culpabilidade. As informações foram incluídas como questões a serem esclarecidas antes da conclusão da análise interna conduzida pelo Compliance.

A reunião de quarta-feira já havia abordado uma declaração de Carlos Teixeira, um dos idealizadores da SAFiel, sobre a saída do Mercado Bitcoin do patrocínio do Corinthians em 2023. Dirigentes cobraram a apresentação de provas da acusação mencionada por Teixeira, conforme publicado pelo UOL após o encontro.

Corinthians tem dúvida sobre proposta não vinculante

O Corinthians também pede esclarecimentos sobre uma cláusula da proposta que produziria efeitos imediatos mesmo com o documento classificado como não vinculante. Segundo a manifestação, a cláusula nove estabelece obrigações desde a assinatura, independentemente da conclusão da operação.

O clube questiona especialmente o trecho que prevê que cada parte arque com os próprios custos, salvo acordo escrito em sentido contrário. Os dirigentes querem evitar que o Corinthians assuma despesas ou responsabilidades financeiras que não tenham sido previamente calculadas ou submetidas aos órgãos estatutários.

A SAFiel também deverá responder se a assinatura da proposta criaria algum tipo de exclusividade. O Corinthians pergunta se ficaria impedido de analisar ou negociar outros projetos de constituição de SAF durante o período de validade do documento não vinculante.

As respostas e os documentos solicitados serão analisados pelas presidências da Diretoria, do Conselho Deliberativo e do Cori. Uma nova manifestação sobre a proposta ocorrerá somente depois dessa etapa, segundo o documento obtido pelo UOL.

Redação com Uol 

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