Anadia/AL

9 de setembro de 2026

Anadia/AL, 9 de setembro de 2026

Reino Unido recusa pagar reparações à Jamaica pela escravidão

Delegação da Jamaica apela ao monarca britânico para exigir compensação histórica pelos danos da escravidão transatlântica

ABN - Alagoas Brasil Noticias

Em 8 de setembro de 2026

MUNDO

Foto: Reprodução/Redes Sociais

O governo britânico reiterou nesta segunda-feira (7) sua recusa em pagar indenizações financeiras pelo papel da Grã-Bretanha no tráfico transatlântico de escravizados, enquanto uma delegação da Jamaica entregava no Palácio de Buckingham uma petição formal dirigida ao rei Charles III para exigir uma compensação de 10 bilhões de dólares.

De acordo com a teleSUR, um porta-voz do primeiro-ministro britânico Andy Burnham reafirmou que a postura oficial permanece inalterada e insistiu que o Reino Unido “não paga nem pagará reparações”.

Embora a administração britânica tenha qualificado a prática colonial como “abominável” e reconhecido que o país se beneficiou significativamente desse comércio, sucessivos governos britânicos têm evitado apresentar um pedido formal de desculpas ou iniciar negociações econômicas sobre o tema.

A comitiva, liderada pela ministra da Cultura da Jamaica, Olivia Grange, compareceu à sede da monarquia para apresentar a solicitação. O documento pede ao monarca que busque o aconselhamento do Comitê Judicial do Conselho Privado em Londres, órgão que serve como tribunal de apelação final para a ilha caribenha e outros territórios da Comunidade das Nações.

A petição marca um precedente histórico por ser a primeira vez que um membro da Commonwealth utiliza essa via jurídica, levantando três questões centrais para a avaliação real: se a escravização de pessoas africanas na Jamaica foi legal sob o direito inglês, se tal prática violou o direito internacional e se o Reino Unido tem a obrigação legal de indenizar os danos causados pelo comércio de escravizados.

A ministra Grange também cobrou a restituição de artefatos caribenhos abrigados em museus britânicos. Conquanto o governo britânico tenha refutado formalmente o pleito e o monarca estivesse ausente na ocasião, a representante jamaicana declarou à imprensa internacional sentir-se “encorajada” pelo passo dado.

Charles III encontrava-se na Escócia no momento da entrega em Londres, o que gerou críticas locais. Graham Smith, diretor-executivo do grupo antimonárquico Republic, afirmou que “mais uma vez, Charles busca se esconder quando o assunto é a escravidão e o império”.

As reivindicações caribenhas alinham-se a posicionamentos de organismos internacionais. Recentemente, um comitê das Nações Unidas determinou que os Estados têm o dever jurídico de considerar reparações pelo tráfico transatlântico, alertando que a erradicação da discriminação racial exige “um compromisso total para revisar e reparar os danos e as consequências atuais do tráfico de africanos escravizados e da escravidão racializada”.

Fonte: 247

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