Por Jonathas Maresia
A apreensão de aproximadamente R$ 2 milhões em espécie nesta sexta-feira (18), em Maceió, abriu uma investigação que envolve contratos públicos, uma série de outros saques de altos valores e até a possibilidade de crime eleitoral. O dinheiro foi encontrado com dois funcionários de uma empresa de iluminação pública após eles deixarem uma agência do Banco do Brasil, no bairro do Farol.
Segundo o diretor da Diretoria de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado (Dracco), delegado Igor Diego, a empresa tem sede em Pernambuco, filiais em outros estados do Nordeste e contratos com órgãos públicos. Um dos funcionários afirmou à polícia que a companhia também mantém contrato com a Prefeitura de Maceió. A Polícia Civil agora pretende levantar todos os vínculos, valores recebidos e movimentações financeiras relacionados à empresa.
A investigação começou após informações repassadas pela Segurança Pública de Sergipe às autoridades alagoanas. Com base nos dados, a Polícia Militar acompanhou a movimentação e abordou os dois homens quando eles saíam de carro após o saque. Além dos R$ 2 milhões, foram apreendidos celulares, documentos, talões de cheque e o veículo utilizado pela dupla.

De acordo com Igor Diego, os dois homens disseram que retiraram o dinheiro por determinação da proprietária da empresa. A polícia instaurou inquérito para descobrir a origem dos recursos e, principalmente, por que uma quantia de R$ 2 milhões foi sacada em espécie. A proprietária e os sócios deverão ser intimados e terão de apresentar documentos relacionados às movimentações.
A apreensão desta sexta-feira também levou a Dracco a investigar outros saques. Segundo o delegado, há informações de que retiradas de grandes valores em espécie já ocorreram em outras datas, fato que teria sido confirmado por um dos próprios funcionários. A Polícia Civil pretende realizar análises bancárias e fiscais para entender a movimentação financeira e a recorrência das operações.
Entre as linhas que poderão ser investigadas estão possíveis crimes de corrupção, peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Igor Diego também afirmou que a polícia verifica se o dinheiro poderia ter alguma destinação relacionada às eleições, mas ressaltou que, até o momento, não existe comprovação de crime eleitoral. Caso surjam indícios dessa natureza, o material será compartilhado com a Polícia Federal, responsável pela investigação de ilícitos eleitorais na capital.

O delegado revelou ainda que sócios da empresa já foram alvo de investigação em Sergipe e, segundo ele, houve indiciamentos pela Polícia Civil e denúncias do Ministério Público por peculato e suposto desvio de recursos públicos. O histórico citado pelas autoridades, no entanto, não significa que os R$ 2 milhões apreendidos em Maceió tenham origem ilícita.
Os dois funcionários foram ouvidos e liberados, mas continuam sendo investigados. Os R$ 2 milhões, o veículo, celulares e demais materiais seguem apreendidos. A Dracco agora tenta esclarecer de onde saiu o dinheiro, qual seria sua destinação e quais contratos públicos mantidos pela empresa podem ter relação com os valores movimentados.
Redação com Gazeta Web

















