O valor da produção agrícola de Alagoas alcançou R$ 4,711 bilhões em 2025, o maior já registrado no estado. A alta nominal foi de 13,9% em relação aos R$ 4,135 bilhões movimentados no ano anterior.

O resultado foi divulgado nesta quinta-feira (17) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), por meio da pesquisa Produção Agrícola Municipal (PAM). Os valores não consideram o efeito da inflação.

O recorde ocorreu mesmo com a queda da cana-de-açúcar, principal cultura agrícola alagoana. O avanço da mandioca, banana, laranja, fumo e milho ajudou a compensar a retração do setor canavieiro.

A área destinada à produção passou de 464,7 mil hectares para 469,9 mil hectares, crescimento de 1,1%. Já a área efetivamente colhida avançou 5,7%, chegando a 453,2 mil hectares.

Cana-de-açúcar, mandioca, banana, laranja e fumo concentraram cerca de 76% do valor agrícola apurado em Alagoas.

Cana perde participação

A cana-de-açúcar permaneceu como a cultura de maior peso, mas o valor da produção caiu 9,6%, de R$ 2,528 bilhões para R$ 2,285 bilhões.

O volume produzido recuou 12,7%, passando de 18,7 milhões para 16,3 milhões de toneladas. Também houve redução da área destinada à colheita e do rendimento médio por hectare.

Com a queda, a participação da cana no valor agrícola estadual diminuiu de 61,1% para 48,5% em um ano.

Coruripe continuou como o maior produtor alagoano, com 2,33 milhões de toneladas. São Miguel dos Campos aparece em seguida, com 1,34 milhão, pouco acima de Penedo, que produziu 1,33 milhão.

Mandioca e banana avançam

A mandioca manteve a segunda posição entre as culturas mais valiosas. O setor movimentou R$ 551,6 milhões, crescimento de 37,7%.

Teotônio Vilela liderou a produção, com 75 mil toneladas. São Sebastião produziu 42,7 mil toneladas, enquanto Limoeiro de Anadia chegou a aproximadamente 37 mil.

A banana apresentou alta ainda maior. O valor passou de R$ 213,3 milhões para R$ 365,8 milhões, avanço de 71,5%. A produção chegou a 110 mil toneladas.

União dos Palmares permaneceu na liderança, com 16,8 mil toneladas. Santana do Mundaú se aproximou após praticamente dobrar o volume e alcançar 16 mil toneladas. Joaquim Gomes ficou em terceiro, com 12,4 mil.

Fumo quase triplica em Alagoas

O crescimento proporcional mais expressivo entre as principais culturas ocorreu na produção de fumo em folha. O volume saltou de 14,9 mil para 44 mil toneladas, alta de aproximadamente 196%.

O valor gerado também quase triplicou, passando de R$ 63,1 milhões para R$ 182,8 milhões. A área plantada cresceu, e o rendimento médio mais que dobrou.

Arapiraca respondeu pelo maior volume, com 17,5 mil toneladas — mais de quatro vezes o registrado em 2024. Craíbas aparece com 7,5 mil toneladas, seguida por Feira Grande e Girau do Ponciano, ambas com 6,3 mil.

Santana do Mundaú lidera produção de laranja

O valor da produção de laranja aumentou 18,2% e chegou a R$ 195,7 milhões. O estado produziu 94 mil toneladas da fruta em 2025.

Santana do Mundaú concentrou aproximadamente 48% desse total, com 45,3 mil toneladas. Branquinha registrou 20 mil toneladas, e Joaquim Gomes, 9,6 mil.

O município de Santana do Mundaú se destacou em duas culturas: além de liderar a produção de laranja, ficou próximo de União dos Palmares na disputa pela maior produção de banana.

Milho quase dobra em volume

A quantidade de milho em grão produzida em Alagoas passou de 60,5 mil para 115,6 mil toneladas. O valor movimentado cresceu 77,3% e alcançou R$ 124,8 milhões.

Belo Monte liderou com 18 mil toneladas. Jacaré dos Homens e Traipu aparecem na sequência, com 9 mil toneladas cada.

Os dados da PAM 2025 ainda são preliminares e poderão ser revisados pelo IBGE nas próximas divulgações. A pesquisa acompanha lavouras temporárias e permanentes nos municípios brasileiros.

*Cada Minuto