
# Por Erick Balbino
Dois assassinatos de mulheres trans foram registrados em Alagoas entre a noite de quinta-feira (22) e a manhã de sexta-feira (23). Os crimes ocorreram em municípios diferentes: Santa Luzia do Norte, na Região Metropolitana de Maceió, e Coruripe, no Litoral Sul do estado. As duas ocorrências são investigadas pelas autoridades policiais.
Um dos casos teve como vítima Paolla Paullyne Freitas Araújo de Alencar Vital, de 34 anos, conhecida como Paolla do CRAS ou Paolla Araújo. Ativista social, ela também disputou uma vaga na Câmara Municipal de Coqueiro Seco nas eleições de 2024, pelo MDB, e ficou na suplência.
O corpo de Paolla foi encontrado na noite de quinta-feira (22), na Rua Tiradentes, no centro de Santa Luzia do Norte. A vítima apresentava marcas de disparos de arma de fogo.
De acordo com informações preliminares da investigação, uma das linhas apuradas pela Polícia Civil considera a possibilidade de envolvimento com o tráfico de drogas na região, em uma área sob influência de uma facção criminosa. Até o momento, segundo as informações divulgadas, não foram identificados indícios formais de motivação política ou transfóbica para o homicídio.
O caso também mobilizou a Secretaria de Estado da Mulher e dos Direitos Humanos (SEDH), que encaminhou um ofício à área de Segurança Pública solicitando rigor e celeridade nas investigações. O órgão reforçou a necessidade de respeito à identidade de gênero da vítima durante a apuração.
● Segundo caso foi registrado em Coruripe
Na manhã de sexta-feira (23), outra mulher trans foi encontrada morta em Alagoas. Conhecida como Pâmela, ela estava em uma área de mata no povoado Barreiras, na zona rural de Coruripe.
A suspeita inicial é de que a vítima também tenha sido morta a tiros. A Polícia Civil instaurou um inquérito para investigar as circunstâncias do crime, identificar os responsáveis e esclarecer a motivação.
Até o momento, as informações disponíveis sobre o segundo caso são limitadas, e não há confirmação de ligação entre os dois assassinatos.
● Investigações devem esclarecer as motivações
Os dois crimes, registrados em um intervalo de poucas horas, voltam a chamar a atenção para a violência contra mulheres trans e para a importância de esclarecer as circunstâncias de cada ocorrência.
A apuração das motivações é fundamental para determinar o enquadramento jurídico dos homicídios. A eventual caracterização de transfobia ou de feminicídio depende dos elementos reunidos durante as investigações e da análise das circunstâncias de cada caso.
No Brasil, o Supremo Tribunal Federal reconheceu que atos de homofobia e transfobia podem ser enquadrados nos termos da legislação sobre racismo. Já a aplicação da qualificadora do feminicídio a mulheres trans é admitida juridicamente, desde que estejam presentes os requisitos legais pertinentes.
As investigações dos dois assassinatos seguem sob responsabilidade da Polícia Civil. A identificação dos autores e o esclarecimento das motivações serão determinantes para o avanço dos procedimentos policiais.
# Redação C/ 7 Segundos


















