
Uma vitória conquistada palmo a palmo nas ruas, forjada na resiliência popular e que impõe sobre os ombros do líder uma responsabilidade histórica ainda maior do que em 2002. Esse foi o tom adotado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante a “Live da Vitória”, transmitida em seus canais oficiais ao lado do deputado federal André Janones (Avante-MG) e assistida por milhões de brasileiros. Em uma conversa franca, que alternou momentos de emoção autêntica, descontração e anúncios estratégicos de governo, Lula deixou claro que a energia demonstrada pela militância nas ruas e nas redes sociais ditará o ritmo da governabilidade do país.
“Quem ganhou essa eleição foi o povo brasileiro”, destacou Lula logo no início da transmissão. O presidente fez questão de dividir o mérito da virada histórica com a mobilização de base, citando em especial a juventude, as mulheres e as imagens de idosos com mobilidade reduzida que fizeram questão de comparecer aos colégios eleitorais. Para o mandatário, o sacrifício do cidadão comum para garantir o voto democrático cobra uma lealdade inegociável da gestão que se inicia.
🔸 A obsessão em cumprir a palavra e não trair a esperança
Ao relembrar as noites insones de seu primeiro mandato no Palácio do Planalto, quando deitava olhando para o teto receoso de não dar conta da gigantesca expectativa nacional, Lula afirmou que a mesma inquietação voltou agora com força redobrada.
“Eu não posso trair o imaginário desse povo que acreditou. Não posso. Tenho que fazer tudo o que nós prometemos e fazer muito mais, sobretudo tratá-los com respeito e dignidade, porque foram eles que foram para a rua defender o país, a nossa bandeira, a nossa cultura, a educação.”
O presidente confidenciou os bastidores do intervalo entre os turnos, admitindo a frustração inicial ao não liquidar a fatura na primeira votação. Longe de culpar terceiros, relatou ter buscado internamente os erros da campanha para traçar o plano que culminou na virada política em estados decisivos, como Minas Gerais, e na recomposição maciça de votos no Nordeste. A lição, reiterou, foi não duvidar da consciência política do trabalhador brasileiro.
🔸 Do combate às fake news ao poder do “exército digital”
Janones, que capitaneou ações nas redes ao longo da disputa, relembrou os marcos da guerrilha digital contra a desinformação de extrema-direita. O parlamentar ressaltou que a virada nas plataformas ocorreu no instante em que Lula decidiu assumir o protagonismo nas redes, demonstrando que a força da comunicação popular e da verdade é capaz de desmantelar redes de mentiras estruturadas.
A mobilização virtual, contudo, não termina com a contagem dos votos. Ambos defenderam que a comunidade continue articulada para sustentar a governabilidade e assegurar que o Executivo não fique refém de pressões congressuais fisiológicas. Lula prometeu incorporar as transmissões semanais à sua rotina administrativa como canal direto de prestação de contas, furando eventuais filtros ou distorções da grande mídia corporativa: “Eu não vou permitir que ninguém interprete o que eu falo. Vou falar diretamente com o povo.”
🔸 Soberania mineral, segurança pública e combate à sangria das apostas
Longe de se limitar à retrospectiva eleitoral, a live serviu como palanque para diretrizes concretas das primeiras medidas de governo:
- Soberania sobre Minerais Críticos e Terras Raras: Lula frisou a consolidação do Conselho Nacional de Política Mineral, estipulando que o Brasil deixará de ser mero exportador de minério bruto. “O capital estrangeiro que quiser investir será bem-vindo, mas a regra mudou: a transformação, a industrialização e a geração de emprego qualificado terão que acontecer em solo nacional”, cravou, citando a necessidade histórica de romper com o ciclo de espoliação de riquezas.
- Criação do Ministério da Segurança Pública: O presidente antecipou reuniões com a Casa Civil e a equipe econômica para formalizar, via medida provisória, a pasta dedicada exclusivamente à segurança, aliada à tramitação de reformas estruturais para coordenar as polícias e implementar uma Guarda Nacional especializada, sob o lema de garantir “ao trabalhador proteção e ao bandido prisão”.
- Fim da farra das bets: Lula abordou com contundência o endividamento de famílias e trabalhadores de baixa renda com jogos de azar eletrônicos. Saudou a atuação da sociedade civil nas audiências públicas do STF e reiterou que o governo não tolerará a exploração da renda essencial de mães e jovens em prol de enriquecimento de plataformas e clubes.
- Educação e Tecnologia: Incentivou a juventude a comparecer em peso às provas do Enem e prometeu investimentos massivos em inteligência artificial voltada ao ensino público, economia digital e transição ecológica.
🔸 Cultura viva e projeção internacional
A transmissão contou ainda com a participação da ministra da Cultura, Margareth Menezes, por ocasião do Dia da Cultura. A chefe da pasta celebrou a recuperação orçamentária do MinC e a interiorização dos investimentos culturais em municípios de todos os portes. Lula reforçou que o setor não será encarado como acessório, mas como pilar econômico gerador de renda e fortalecedor da identidade e soberania nacionais.
Com a agenda internacional engatilhada, o presidente confirmou viagens diplomáticas já nos dias seguintes, participando da cúpula climática na Turquia e realizando visita oficial de trabalho às Filipinas, sinalizando o regresso definitivo do Brasil ao centro das discussões geopolíticas globais.
Ao encerrar, Lula dirigiu uma mensagem final de gratidão aos que resistiram nas periferias, nas universidades e nos sindicatos: a posse de janeiro não será apenas um ritual institucional, mas uma festa popular de reocupação cívica de Brasília, convocando cada cidadão a permanecer vigilante na defesa de suas próprias conquistas.
# Redação com Brasil 247

















