
Por Henrique Comini
Carlo Ancelotti possui um currículo inegavelmente vitorioso, pois, como treinador, conquistou nada menos do que cinco Liga dos Campeões, sendo duas com o Milan e três com o Real Madrid.
Na galeria de troféus, o italiano ainda ostenta os títulos de ligas nacionais de cinco países diferentes: Inglaterra, Espanha, Itália, Alemanha e França. Mas, nem por isso está isento de errar e de receber críticas.
O primeiro técnico estrangeiro da história da Seleção Brasileira foi contratado em maio de 2025. Em comparação com outros profissionais, ele teve pouco tempo para conhecer de forma profunda o futebol nacional. Na Seleção Francesa, por exemplo, Didier Deschamps, está no cargo há 14 anos.
Com isso, Ancelotti não foi capaz de formatar, para a Copa de 2026, um time vitorioso, com o DNA verde-amarelo, pentacampeão mundial. E, para piorar, o experiente comandante, de 67 anos, equivocou-se bastante em tomadas de decisões importantes.
Primeiro erro – convocações
A lista final de jogadores convocados para a Copa do Mundo foi repleta de problemas. Com as contusões de Militão e Wesley, o treinador optou por não levar nenhum lateral-direito de ofício, pois Danilo e Ibañez são zagueiros e jogaram improvisados na posição.
Ancelotti também decidiu convocar atletas que estão em declínio físico e técnico, alguns com idades avançadas, como Casemiro, Alex Sandro, o próprio Danilo e Neymar. O lateral-esquerdo nem jogou, virou reserva do discreto Douglas Santos. Já os outros fizeram uma péssima Copa do Mundo.

Segundo erro – Neymar
Ainda que tenha números indiscutíveis na carreira, o maior artilheiro da história da Seleção Brasileira, com 80 gols, foi para a Copa do Mundo machucado, com uma lesão significativa na panturrilha. Convocar o ex-craque foi uma atitude midiática e equivocada.
Neymar demorou a se recuperar. E, mesmo quando a lesão foi cicatrizada, demonstrou falta absoluta de ritmo quando teve oportunidades de atuar, diante da Escócia e da Noruega.
A bem da verdade, o camisa dez não joga com o brilho que se espera dele há um bom tempo. A última temporada completa e de alto nível de Neymar na Europa foi a de 2022/2023. Portanto, aos 34 anos, encerrou de forma melancólica a passagem pela Seleção.
Terceiro erro – esquema tático e escalações
Talvez convencido de que faltam atletas com qualidade para o meio-campo, o treinador chegou ao mundial determinado a escalar o time com quatro atacantes e tentou encaixá-los, no time, sem construir antes uma base sólida de defesa.
Contudo, não se constrói uma casa a partir do telhado. A fragilidade da Seleção Brasileira foi exposta no primeiro tempo da estreia contra Marrocos.
O erro foi consertado nas partidas seguintes, com a saída do centroavante Igor Thiago (que ficou na reserva durante todo o restante da competição), a entrada de Matheus Cunha e mudança de posicionamento de Paquetá. Com o meio-campo encorpado, o sistema defensivo ficou mais seguro.
Porém, Ancelotti voltou a deixar a equipe aberta no segundo tempo diante da Noruega, com as entradas de Neymar e Endrick. Exposto, o Brasil acabou eliminado com a derrota por dois a zero.
Quarto erro – Casemiro, o homem de confiança
Casemiro foi o homem de confiança do treinador durante a Copa. Mas, desde a estreia, quando foi facilmente superado por atletas por Marrocos, o volante mereceu ficar no banco de reservas.
Falhou no gol do Japão, que quase eliminou precocemente o Brasil. E deveria ter sido substituído no intervalo daquela partida, pois já estava amarelado e corria o risco de ser expulso. Ancelotti o manteve em campo e o veterano acabou fazendo o gol de empate.
Aos 34 anos, ele fez a despedida da Seleção Brasileira com três Copas do Mundo na carreira (2018, 2022 e 2026).
Quinto erro – falta de identidade
Depois da estreia desastrosa contra Marrocos, Ancelotti foi perguntado em entrevista coletiva se faltava identidade à Seleção Brasileira e assim respondeu:
Redação com iG


















