Os valores fazem parte do painel Custo do Preso, mantido e atualizado pela Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen), que é vinculada ao Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP).
O Amapá liderou o ranking nacional de gastos, com uma despesa mensal de R$ 4.512 por preso, seguido pela Bahia, R$ 4.011; e Minas Gerais com R$ 3.824. O Paraná registrou o menor custo do país, com R$ R$ 1.529 mensais por detento, valor que, embora esteja abaixo da média nacional, ainda supera o salário mínimo pago ao trabalhador.
O custo médio por detento também atingiu um recorde histórico. Com a média mensal chegando a pouco mais de R$ 2,6 mil, o valor teve uma alta de aproximadamente 38,2% em relação a 2020, quando o gasto era de R$ 1,9 mil.
Despesa total
O estado de São Paulo concentra o maior volume do orçamento prisional com R$ 5,9 bilhões, seguido por Minas Gerais, R$ 3,6 bilhões; e Paraná, R$ 1,7 bilhão. Roraima registrou o menor orçamento com R$ 143,1 milhões.
Sant’Anna afirma que em vez de aplicar a pena de prisão de forma genérica para todos os tipos de delitos, o poder público precisa focar na gravidade real das condutas e parar de usar os presídios como uma resposta padrão para pessoas com perfis diferentes.
Para o especialista, a manutenção de uma política baseada no aprisionamento em massa sem estratégia se mostra financeiramente e operacionalmente inviável, uma vez que “se esse rumo de encarceramento, de aprisionamento, for mantido, a pressão fiscal vai ficar insustentável”. Ele reforça que o investimento ainda é reativo e que a desorganização interna das unidades agrava o problema e “entrega para as próprias facções o poder de organizar a vida cotidiana do preso”.
“A gente tem visto aumentos de pena em série […] e não houve nenhum efeito preventivo no cometimento dessas violências. A gente não tá enxugando gelo, a gente está piorando o problema”, destaca.
Para ele a verdadeira economia orçamentária e a redução da criminalidade a longo prazo só serão alcançadas quando houver investimento real em saneamento, oportunidades de trabalho e projetos de vida para os jovens das periferias.

















