
Por Plinio Teodoro
A União das Associações Europeias de Futebol, Uefa, divulgou nota nesta segunda-feira (6) em que classifica como “inédita, incompreensível e injustificável” a decisão da Federação Internacional de Futebol, a Fifa, de anular o cartão vermelho recebido pelo jogador Folarin Balogun, dos Estados Unidos, após o atacante cometer uma falta extremamente grave no jogo contra a Bósnia.
A decisão teria ocorrido a pedido de Donald Trump, ao presidente da Fifa, Gianni Infantino. “Obrigado à FIFA por fazer o que era certo e reverter uma grande injustiça”, escreveu Trump na sua rede Truth Social.
Para a Uefa, a decisão de “suspender por um período probatório de um ano a aplicação da suspensão automática de um jogo, consequência do cartão vermelho dado ao jogador Folarin Balogun, ultrapassou todos os limites”.
“O futebol, como qualquer outro esporte, se baseia em regras, que são a base para uma competição justa, honesta e transparente. Às vezes, as regras são passíveis de interpretação. Neste caso, não. A suspensão automática mínima de uma partida após um cartão vermelho não é uma opção discricionária e não requer a decisão de um órgão competente para ser aplicada. É um princípio consagrado no regulamento, que não admite exceções, muito menos em meio a um torneio em que vários outros jogadores já estiveram na mesma situação e cumpriram suas suspensões regularmente”, diz em nota.
A associação ressalta ainda que “a integridade do jogo fica em risco e a credibilidade da competição é prejudicada” com a decisão.
“Da mesma forma, tal decisão cria um precedente no torneio em curso, onde situações semelhantes passarão a exigir tratamento igualitário, em detrimento da competição. O futebol é o esporte mais amado do mundo porque é um jogo bonito e inspira confiança, já que é praticado em todos os lugares com as mesmas regras. Um torneio nunca é um evento isolado e, se o torneio em questão for a Copa do Mundo, ele tem o poder de gerar consequências positivas ou negativas para o futebol como um todo”.
Próximos adversários
A Federação Belga de Futebol, próximo adversário dos EUA, afirmou estar “estarrecida” com a decisão da Fifa. Balogun havia recebido cartão vermelho direto aos 64 minutos da vitória dos EUA sobre a Bósnia e Herzegovina.
Depois da intervenção do VAR, o árbitro brasileiro Raphael Claus revisou o lance no monitor e expulsou o atacante por pisar no tornozelo de Tarik Muharemović.
Pelas regras, a punição teria como consequência suspensão automática para o próximo jogo. Porém, a Fifa resolveu suspender a decisão um dia antes do duelo contra a Bélgica.
A Federação Belga emitiu um comunicado oficial argumentando que a decisão contraria o próprio Código Disciplinar da Fifa, além do regulamento da Copa do Mundo de 2026.
O artigo 66.4 do Código Disciplinar estabelece que um cartão vermelho causa, automaticamente, suspensão para a partida seguinte. O mesmo princípio aparece no artigo 10.5 do regulamento do Mundial, além de ter sido reforçado em uma circular enviada a todas as federações participantes antes do início do torneio.
“A Federação Real Belga de Futebol está surpresa com a decisão da Fifa de declarar o jogador dos Estados Unidos Folarin Balogun apto para disputar a partida. Para proteger os direitos de todas as seleções participantes e preservar os princípios do fair play, estamos avaliando todas as medidas possíveis”, detacou a entidade.
O técnico da seleção da Bélgica, Rudi Garcia, criticou duramente a Fifa. Ele expressou sua indignação com a decisão, afirmando que a entidade tomou uma decisão “nunca antes” vista na história do torneio. O treinador ressaltou que sua posição defende a ética e a história do futebol, e não apenas sua seleção.
“Eu não sabia que 5 de julho era igual 1º de abril na Fifa. É necessário lembrar sobre nosso comunicado. Muito do que sinto está lá. Não estamos defendendo a seleção ou a confederação (da Bélgica), nós estamos defendendo o futebol, sua ética e história. É a primeira vez na história da Copa do Mundo que uma decisão como essa é tomada”, declarou o técnico.

Foto: Reprodução – Instagram
Redação com Revista Fórum


















