A mudança foi oficializada pelo governo federal e passa a ser obrigatória para distribuidoras. O novo combustível deve chegar de forma gradual às bombas, conforme os estoques antigos forem sendo substituídos.
Para o consumidor, o principal impacto esperado é a redução no preço final da gasolina. Como o etanol costuma ser mais barato do que a gasolina pura, a maior mistura tende a reduzir o custo médio do combustível.
A estimativa de especialistas do setor é que a queda seja pequena, mas perceptível, variando conforme a região e a dinâmica de preços do etanol.
Ainda assim, esse efeito não é automático. O valor nas bombas depende de fatores como o preço do petróleo no exterior, o câmbio e a política de preços das refinarias. Ou seja, mesmo com mais etanol na mistura, a gasolina pode não ficar mais barata.
Efeitos no desempenho e motor
Também há discussões sobre possíveis efeitos a longo prazo em componentes do motor, especialmente em modelos que não foram projetados considerando essa nova mistura.
“Estamos falando de uma solução que reduz emissões, gera emprego e renda no interior do país e fortalece uma cadeia produtiva na qual o Brasil é referência mundial. Poucos países reúnem as condições que o Brasil possui para avançar simultaneamente em segurança energética, descarbonização e desenvolvimento econômico”, afirmou o presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Evandro Gussi.
Veja os principais impactos da nova gasolina para o consumidor:
- Possibilidade de leve redução no preço final, a depender da dinâmica regional entre gasolina e etanol;
- Tendência de aumento no consumo de combustível, já que o etanol rende menos por litro;
- Redução da autonomia do veículo, com menor distância percorrida a cada abastecimento;
- Eeitos mais perceptíveis em carros mais antigos, que podem não estar totalmente adaptados à nova mistura;
- Impacto praticamente imperceptível em veículos flex mais novos, projetados para lidar com diferentes proporções de etanol.
Outro fator que contribuiu para a demora foi a preocupação com possíveis impactos no desempenho dos veículos e na durabilidade dos motores. Sem garantias claras, o avanço da medida foi sendo adiado sucessivamente.
Diante disso, o governo passou a acelerar alternativas para reduzir a dependência do combustível fóssil. O etanol, produzido em larga escala no Brasil, ganhou protagonismo nessa estratégia.
Segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), que é favorável à medida, o ideal seria mais cautela e um período de testes mais prolongado para garantir a segurança para os consumidores.
O Ministério de Minas e Energia (MME), no entanto, afirma que já foram realizados diversos testes que comprovam que a alteração é segura e não acarreta em prejuízos para os componentes dos carros.
“No percurso dos testes, foram analisados aspectos como desempenho, dirigibilidade, partida a frio, consumo de combustível e emissões, tanto em ambiente laboratorial quanto em condições reais de uso. De acordo com os resultados, a utilização do E32 apresentou comportamento equivalente ao observado com misturas de menor teor de etanol, sem impactos relevantes no funcionamento dos veículos, inclusive aqueles equipados com motores não flex”, afirmou em nota.
MPF questiona aumento do etanol
Segundo o MPF, a mudança pode trazer riscos ao consumidor, principalmente em relação ao funcionamento dos motores ao longo do tempo.
Outro ponto levantado é o possível impacto financeiro. Se o aumento do etanol levar a maior consumo ou problemas mecânicos, o custo pode acabar sendo repassado ao consumidor.

















