Por: Gustavo Klein
A Globo estreia no próximo dia 22 a novela Guerreiros do Sol, levando para a TV aberta uma história já exibida no streaming e agora adaptada para o grande público. A produção, escrita por George Moura e Sergio Goldenberg, aposta em uma releitura do cangaço, combinando romance e violência no sertão nordestino.
Vídeo: Multiverso de Novelas/ Youtube
Ambientada em um cenário de conflitos armados e disputas familiares, a trama acompanha personagens que transitam entre o amor e a vingança, tendo como pano de fundo o universo dos bandos que marcaram o interior do Nordeste. Inspirada em estudos históricos, a novela recria esse ambiente com linguagem contemporânea, destacando relações humanas e dilemas morais em meio à brutalidade.
A exibição na faixa das dez marca a aposta da TV Globo em conteúdos mais densos, com cenas fortes e abordagem realista, o que levou a ajustes antes da chegada à TV aberta. A produção ganhou repercussão desde sua primeira exibição no Globoplay, fator que motivou a adaptação para a grade tradicional.
O cangaço retratado na novela remete diretamente a figuras históricas como Lampião e Maria Bonita, símbolos de um período marcado por violência, resistência e mitificação no imaginário brasileiro. Líder de um dos bandos mais conhecidos, Lampião percorreu estados do Nordeste nas primeiras décadas do século 20, enquanto Maria Bonita se tornou a primeira mulher a integrar o cangaço de forma ativa, consolidando uma parceria que atravessou a história e a cultura popular.
Na televisão, o tema já foi explorado anteriormente pela própria Globo, especialmente na minissérie Lampião e Maria Bonita, exibida nos anos 1980. A produção buscava uma abordagem mais próxima do registro histórico, com foco na trajetória do casal e na dinâmica dos bandos, consolidando uma visão clássica do cangaço na dramaturgia brasileira.
Ao retomar esse universo décadas depois, Guerreiros do Sol se distancia do tom documental e aposta em uma narrativa ficcional mais livre, com personagens inspirados, mas não diretamente baseados em figuras reais. A proposta é revisitar o tema sob uma ótica contemporânea, explorando conflitos pessoais e relações afetivas em meio à violência, sem abrir mão do contexto histórico que sustenta a trama.
*Jornal da Orla


















