O advogado e cientista político Jorge Folena defendeu nesta semana, em entrevista ao programa Giro das Onze, da TV 247, que a Polícia Federal abra investigação formal contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) após a revelação de uma negociação de R$ 134 milhões ligada ao filme Dark Horse, produção sobre Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar após condenação a 27 anos no processo da trama golpista.
O analista afirmou que o caso exige apuração sobre a origem, o destino e a natureza dos recursos atribuídos ao financiamento do longa. O advogado também relacionou o episódio ao Banco Master e ao empresário Daniel Vorcaro, apontado como principal financiador da produção.
“Flávio Bolsonaro tem que ser investigado oficialmente”, disse Folena. O analista comparou a situação do senador do PL-RJ à do senador Ciro Nogueira (PP-PI), alvo da Operação Compliance Zero. “Ciro Nogueira está com medida cautelar contra ele”, afirmou.
A cobrança ocorre após a dona da GoUp Entertainment, Karina Ferreira da Gama, uma das produtoras do filme sobre Jair Bolsonaro, admitir que Vorcaro teve papel central no aporte financeiro do projeto. Segundo ela, o orçamento da produção chega a R$ 65 milhões.
Folena levantou dúvidas sobre a forma como os recursos circularam e cobrou resposta dos órgãos de investigação. “Como saiu esse dinheiro? Foi por doação? Pagou imposto? Foi empréstimo? Teve IOF (Imposto sobre Operações Financeiras? Teve operação para o exterior?”, questionou.
Na avaliação do advogado, o caso também expõe falhas de fiscalização sobre o Banco Master. Ele afirmou que a instituição “se desenvolveu com as facilidades encontradas pelo governo Bolsonaro”.
Durante a análise, Folena também alertou para o que chamou de “perigo que representa a família Bolsonaro” para o Brasil. A declaração reforça a pressão política sobre Flávio Bolsonaro em meio às suspeitas envolvendo o financiamento do filme Dark Horse e a relação com Daniel Vorcaro.
Caso Ciro Nogueira
Citado por Jorge Folena, Ciro Nogueira, que era cogitado para ser vice de Flávio Bolsonaro, recebia repasses mensais do Master em valores que iam de R$ 300 mil a R$ 500 mil, apontaram investigadores. Outra linha de apuração é se o parlamentar agiu para favorecer interesses do mercado.
A Emenda nº 11 à PEC 65/2023, chamada de Emenda Master e apresentada por Ciro Nogueira, está sob apuração da Polícia Federal. O texto previa alterações nas regras do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), instrumento que resguarda correntistas e investidores em situações de quebra de instituições financeiras.
A PEC 65/2023 altera a Constituição para conceder autonomia técnica, orçamentária e financeira ao Banco Central. Ciro anexou a Emenda nº 11 a essa proposta mais ampla, com foco específico no FGC.
Redação com Brasil 247

















