A transferência do ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa para a chamada Papudinha, autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), reforçou nos bastidores da investigação a expectativa de avanço das negociações para uma delação premiada que pode atingir diretamente o ex-governador do Distrito Federal Ibaneis Rocha (MDB) e a atual governadora Celina Leão (PP).
As informações foram publicadas pelo jornal O Globo. Segundo a reportagem, investigadores e integrantes da defesa consideram a mudança de unidade prisional um passo importante nas tratativas de colaboração do executivo, apontado pela Polícia Federal como peça central no escândalo envolvendo o Banco Master e o BRB.
Paulo Henrique Costa deixou a Penitenciária da Papuda e foi transferido para o 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como Papudinha, unidade destinada a militares, policiais e autoridades. A mudança ocorreu na noite de sexta-feira (8).
De acordo com a reportagem, a expectativa é que Paulo Henrique Costa forneça informações sobre a atuação de figuras centrais da política do Distrito Federal. Entre os nomes citados nos bastidores da investigação estão Ibaneis Rocha e sua sucessora, Celina Leão, que podem se tornar alvos formais da apuração caso a colaboração avance.
Os advogados Eugênio Aragão e Davi Tangerino, responsáveis pela defesa do ex-presidente do BRB, solicitaram a transferência argumentando que Costa havia sinalizado interesse em firmar acordo de colaboração premiada. Segundo a defesa, a Papuda não oferecia condições adequadas para “discutir eventuais fatos delitivos de forma eficiente” nem para “manusear fontes de prova” durante as negociações.
Outro ponto destacado na reportagem é a preocupação dos advogados com o fato de a Penitenciária da Papuda ser administrada pelo governo do Distrito Federal. Nos bastidores, existe o temor de monitoramento de conversas, especialmente porque Ibaneis e Celina aparecem como personagens sensíveis no avanço das investigações.
A Papudinha, administrada pela Polícia Militar, foi considerada um ambiente mais seguro para as tratativas. A defesa também avaliou a possibilidade de transferência para a Superintendência da Polícia Federal em Brasília, mas a PF informou ao STF não haver vagas disponíveis na unidade, que já mantém Daniel Vorcaro sob custódia.
Vorcaro, controlador do Banco Master, é apontado pelas investigações como responsável pelo pagamento de vantagens indevidas a Paulo Henrique Costa. Segundo a Polícia Federal, o ex-presidente do BRB teria recebido promessa de cerca de R$ 146 milhões em propina, incluindo imóveis de luxo em Brasília e São Paulo, em troca da compra de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito supostamente fraudulentas do Banco Master.
Ao decretar a prisão preventiva de Costa em abril, André Mendonça afirmou que o executivo representava risco à produção de provas e poderia voltar a atuar para ocultar patrimônio e reorganizar o esquema investigado. Na decisão, o ministro descreveu o ex-dirigente do BRB como uma “peça essencial” da operação.
A investigação também mira o advogado Daniel Monteiro, apontado pela Polícia Federal como operador financeiro do esquema. Segundo os investigadores, ele administrava fundos e contas utilizados para operacionalizar os repasses de vantagens indevidas a políticos e autoridades. Monteiro permanece preso por decisão de André Mendonça.
A Papudinha ganhou notoriedade nos últimos anos por abrigar presos ligados à trama golpista e autoridades do Distrito Federal. O local oferece condições diferenciadas em relação à Papuda, incluindo televisão, chuveiro quente, cozinha, armários e área para banho de sol. Jair Bolsonaro chegou a permanecer na unidade antes de migrar temporariamente para prisão domiciliar por questões de saúde.
Atualmente, a unidade também mantém sob custódia aliados do ex-presidente condenados pela tentativa de golpe de Estado, como o ex-ministro Anderson Torres e o ex-diretor da Polícia Rodoviária Federal Silvinei Vasques.
Redação com Brasil 247

















